A tempestade solar que atingiu a Terra na noite de 19 de janeiro causou um fenômeno extremamente raro no Brasil: uma Aurora Austral foi registrada no céu de Cambará do Sul, na serra gaúcha. O espetáculo de luzes roxas e vermelhas foi capturado pelo fotógrafo Egon Filter.

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O fenômeno só foi possível pois, além de estarmos sob ocorrência de tempestades solares – a ocorrida no dia 19 foi uma das mais intensas registradas na última década – outro fato raro aconteceu: os raios de energia aproveitaram uma brecha no “escudo” da Terra que fica no Hemisfério Sul, chamada pelos cientistas de Anomalia Magnética do Atlântico Sul (AMAS).

Eventos como auroras no Brasil são extremamente raros por uma série de fatores, especialmente a posição do país no globo terrestre e outras condições atmosféricas. A última vez que o fenômeno foi registrado foi na madrugada de 10 para 11 de maio de 2024, também no Rio Grande do Sul.

Como as auroras se formam?

Um dos fenômenos naturais mais encantadores conhecidos, as auroras (boreais no Hemisfério Norte e austrais no Sul) são formadas quando os ventos solares, carregados de partículas e de plasma, colidem com o campo magnético da Terra e chegam na nossa atmosfera.

Essa interação gera uma série de reações químicas e físicas, gerando o efeito luminoso colorido normalmente nas cores verde ou azul no Hemisfério Norte, ou em tons avermelhados na região Sul.

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A intensidade do brilho, da coloração e da “dança” das auroras no céu depende da intensidade dos ventos solares e também do volume de gases como oxigênio e hidrogênio no local no momento em que as partículas chegam na atmosfera.

Confira o registro da Aurora Austral no Rio Grande do Sul feito pelo fotógrafo Egon Filter:

Auroras pelo mundo

Não foi apenas no Rio Grande do Sul que o fenômeno foi registrado. Regiões onde as auroras são comuns, como o norte europeu, acompanharam alguns dos eventos mais intensos e brilhantes dos últimos anos.

As auroras ocorreram até mesmo em locais onde não são tão comuns, como em Portugal e no Reino Unido. Regiões da Argentina e do Chile também registraram o fenômeno.

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Essa ocorrência mas frequente e mais intensa do que o normal acontece justamente porque a Terra está sendo atingida por tempestades solares extremamente fortes.

Tempestades solares frequentes

A Terra está sendo atingida por uma série de tempestades solares intensas desde o ano passado. Isso acontece pois o Sol está no pico de atividade do chamado Ciclo Solar 25, que começou em 2019 e deve durar até 2030.

Esse pico deve permanecer até 2027. Ou seja, a Terra permanecerá “sob ataque” por pelo menos mais um ano. As tempestades solares registradas nos últimos dias foram de nível G4 em uma escala que vai até o G5, ou seja, foram extremamente agressivas.

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Tempestades solares dessa magnitude podem ter efeitos fortes na Terra, afetando tecnologias de comunicação, rádio, internet e sistemas de GPS.