As últimas noites foram marcadas por um evento que se tornou comum nos últimos meses: tempestades solares de alta intensidade voltaram a atingir a Terra, com pico de atividade registrado na noite de ontem, dia 19 de janeiro. Os eventos estão sendo registrados com grande frequência desde o ano passado.

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O fenômeno, causado por atividades regulares e periódicas na superfície solar, pode interagir com o campo magnético da Terra e afetar tecnologias de comunicação, rádio, a internet e sistemas de GPS, entre outros.

As tempestades solares registradas nos últimos dias foram da categoria G4, uma das mais intensas em uma escala que vai até o G5. O fenômeno causou auroras boreais extremamente brilhantes e coloridas em regiões além do Hemisfério Norte. Parte da Europa Central e até mesmo da América do Norte puderam contemplar o espetáculo.

Como as tempestades solares chegam até a Terra?

As tempestades tem início em regiões do Sol com alta atividade magnética, onde o acúmulo de energia provoca uma Ejeção de Massa Coronal (CME). É como se o Sol lançasse ao espaço uma bolha gigante contendo bilhões de toneladas de plasma e partículas carregadas.

Essas explosões ocorrem frequentemente perto de manchas solares, onde as linhas do campo magnético se retorcem até se romperem, liberando uma rajada de radiação e matéria solar em velocidades que podem ultrapassar milhões de quilômetros por hora.

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Após o disparo, essa nuvem de partículas viaja pelo espaço até encontrar a magnetosfera, o campo magnético da Terra, que serve como um escudo natural do nosso planeta. Ao atingir essa barreira, as tempestades solares provocam compressões e transferências de energia que agitam as camadas superiores da atmosfera.

É essa interação magnética — que agora atinge o nível G4 — a responsável por desencadear as auroras polares e que podem, simultaneamente, causar interferências nas tecnologias de comunicação, sistemas de GPS e em satélites artificiais na órbita terrestre.

Sol está no pico de atividade

Os eventos recentes são mais um lembrete de que a atividade do Sol está no período mais intenso. Atualmente, estamos nos aproximando do pico do Ciclo Solar 25, o chamado Máximo Solar, que se caracteriza pelo aumento drástico na frequência e intensidade das erupções e CMEs.

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A comunidade científica prevê que a Terra continuará sendo atingida por tempestades solares de intensidade variada até meados de 2027. Essa janela de alta atividade exige vigilância contínua por parte de operadores de satélites, redes de energia e comunicação, ressaltando a importância do monitoramento espacial para a preservação de nossa infraestrutura tecnológica global.