O aumento exponencial de diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista (TEA) na maturidade não é um “modismo”, mas o desmonte de estereótipos que, por décadas, deixaram milhões de pessoas à margem da própria compreensão. O que antes era rotulado como “jeito difícil”, “perfeccionismo excessivo” ou “falta de resiliência”, hoje ganha nome e suporte clínico, substituindo o peso da incompreensão social pela ferramenta da reparação identitária.
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O custo invisível do “Masking”
O grande vilão dessa invisibilidade histórica atende pelo nome de “masking“. Trata-se de um esforço hercúleo — e muitas vezes inconsciente — para mimetizar comportamentos sociais e “passar” por neurotípicos.
É o caso de Paula Almeida, servidora pública que só descobriu ser autista aos 38 anos. Durante muito tempo, ela viu sua necessidade de rotina e exaustão sensorial como falhas de caráter.
— Interpretava minhas dificuldades como falta de disciplina — conta.
Para Paula, a busca por eficiência era, na verdade, uma tática de sobrevivência para evitar sobrecargas que o mundo exterior não conseguia enxergar.
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A vida além do rótulo: Funcionalidade e foco
Diferente do diagnóstico infantil, a análise no adulto foca no funcionamento executivo e na história de vida. Sinais como hipersensibilidade a ruídos ou a dificuldade com “entrelinhas” sociais são peças de um quebra-cabeça que Paula ajuda a desmistificar. Com duas graduações, três filhos e foco em concursos de alto nível, ela rebate o mito de que o autismo é incompatível com o sucesso.
— Minha neurodivergência proporciona profundidade de análise e foco intenso — afirma.
O diagnóstico não limitou Paula, ele apenas deu a ela o manual de instruções que o mundo esqueceu de entregar na infância.
FOTOS: 10 filmes sobre autismo para crianças e jovens
*Com edição de Luiz Daudt Junior.











