A tuberculose é uma doença infecciosa e transmissível, causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis. Algumas evidências apontam para a existência da doença desde os tempos pré-históricos, tendo sido encontrada em esqueletos de múmias no antigo Egito, e, mais recentemente, em uma múmia pré-colombiana no Peru, segundo dados da Secretaria da Saúde do estado de São Paulo.

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Também conhecida como bacilo de Koch, a tuberculose se disseminou na Europa com o aumento da urbanização, chegando a ser conhecida como “peste branca” durante o século XVIII. Recentemente, uma pesquisa do Instituto Adolfo Lutz em conjunto com a USP, detectou os primeiros casos de tuberculose extensivamente resistente no Brasil.

Mas, será que ela pode causar uma nova pandemia? Entenda abaixo mais sobre a doença, os sintomas e a resposta para esse questionamento.

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O que é a tuberculose?

Causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, a enfermidade acomete mais frequentemente os pulmões, porém, pode acometer outros órgãos e sistemas. O Ministério da Saúde ressalta que os casos em que a tuberculose atinge outros órgãos e/ou sistemas é mais comum em pessoas portadoras do vírus do HIV, porém, a forma pulmonar é mais frequente e é a principal responsável pela manutenção da cadeia de transmissão da doença. A tuberculose continua sendo um problema de saúde pública, acometendo cerca de 10 milhões de pessoas por ano no mundo.

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Quais são os sintomas?

  • Tosse seca ou produtiva (com catarro) por 3 semanas ou mais
  • Febre vespertina
  • Sudorese noturna
  • Emagrecimento

O principal sintoma da tuberculose é a tosse. Caso apresentado os sintomas, é fundamental a busca por um médico ou centro de saúde para que seja feito o diagnóstico e tratamento adequado para a doença.

O que é a tuberculose extensivamente resistente?

A tuberculose extensivamente resistente é uma forma grave de tuberculose resistente a múltiplos medicamentos. A resistência a múltiplos medicamentos ocorre quando as bactérias desenvolvem resistência a pelo menos dois dos medicamentos mais potentes e comuns no tratamento da doença, como isoniazida e rifampicina, além de resistência a pelo menos um dos medicamentos de segunda linha.

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A tuberculose resistente a medicamentos é uma preocupação significativa de saúde pública, pois torna o tratamento mais difícil e prolongado, aumentando os riscos de complicações e disseminação da doença.

Tuberculose extensivamente resistente no Brasil

Em uma pesquisa, que ainda se econtra em estágios iniciais, o Instituto Adolfo Lutz e a USP revelaram a ocorrência da tuberculose extensivamente resistente no Brasil em 2023. A professora Ana Márcia de Sá Guimarães, do Departamento de Microbiologia/Laboratório de Pesquisa Aplicada a Micobactérias do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, destaca a detecção da resistência a medicamentos recentemente aprovados no Brasil, como a bedaquilina e delamanida. Essa descoberta reforça a importância de um esforço contínuo no monitoramento desses casos e na busca por novos medicamentos.

Quando os microrganismos são expostos inadequadamente a um medicamento, eles desenvolvem naturalmente alterações genéticas que os tornam resistentes ao fármaco em questão. Em tais situações, é necessário buscar alternativas com outros medicamentos que possam substituir aqueles que não são eficazes no tratamento da tuberculose.

O que diz a pesquisa sobre uma nova pandemia?

A detecção de casos de tuberculose extensivamente resistente destaca a necessidade de atenção à doença no Brasil, que possui a maior incidência das Américas, com mais de 100 mil casos registrados em 2021, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Apesar disso, o país não está entre os líderes em casos de tuberculose multirresistente na América, ocupando a penúltima posição no continente. Lucilaine Ferrazoli, pesquisadora do Instituto Adolfo Lutz (IAL) e coordenadora do estudo, atribui isso ao desempenho do Programa Nacional da Tuberculose, que inclui o controle da distribuição dos medicamentos.

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Ou seja, a chance de isso virar uma nova pandemia, como a do Covid-19, é bem remota. Os tratamentos são bem conhecidos e é improvável que eles não sejam capazes de controlar a expansão da doença. Mas, é importante ficar atento.

A pesquisadora brasileira destaca a estratégia importante de fornecer esses medicamentos apenas com prescrição médica e não disponíveis em farmácias, visando garantir seu uso adequado. No entanto, a pesquisadora alerta para o desafio do abandono do tratamento, uma prática comum, pois muitos pacientes interrompem as medicações após algumas semanas ao se sentirem bem.

A pesquisadora ressalta a importância do acompanhamento e da indicação médica para assegurar a efetividade do tratamento, juntamente com o monitoramento dos casos de resistência, além de destacar a valorização do tratamento gratuito oferecido pelo SUS e da vacinação.

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