Uma casa noturna de Florianópolis é citada como “boa para cometer crimes” em mensagens de teor misógino atribuídas a atletas da seleção brasileira de flag football, afastados após o vazamento das conversas. Eles são investigados por uma comissão disciplinar da Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA).
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Segundo o jornal O Globo, os atletas seriam João Pedro Chermont, Vitor “Pedalada” Paiva, Nicolas Quadro, Matheus “Viza” Duarte de Oliveira e Felipe Aymoré. Pelo menos dois deles já atuaram em clubes de Florianópolis: Nicolas Quadro e Matheus “Viza”.
Nos diálogos vazados, aos quais o NSC Total teve acesso, um dos integrantes do grupo questiona “qual a noitada boa em Floripa?”, e outro responde citando o estabelecimento como “bom para cometer crimes” e usando a expressão “somente U18”, em referência a menores de idade. “Camarotezinho forte”, respondeu outro integrante.

Mensagens citam agressão a mulher
Os trechos vazados mostram o grupo chamando mulheres “piranha”, “cachorra”, entre outros xingamentos. Entre os alvos dos comentários estariam jogadoras e dirigentes da confederação, incluindo a presidente, Cris Kagiwara, e a vice-presidente da entidade, Rakel Barros.
Em uma das conversas, um dos integrantes cita uma mulher e diz: “*** eu como só pra dar umas porradas”. Outra mensagem afirma que “alguém precisa pegar essa f* de porrada”.
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Um dos trechos cita integrantes da CBFA em uma mensagem que afirma: “temos que mandar matar ainda em 2026”, seguida de uma lista de pessoas ligadas à modalidade.
Vazamento causou comoção na comunidade esportiva
O teor das conversas vazadas causaram comoção na comunidade de flag football. A equipe catarinense Floripa Ghosts, onde Nicolas atua, informou que ele foi afastado enquanto houver a investigação. O time feminino Desterro Atlantis também informou o afastamento dos membros envolvidos no processo — sem detalhar nomes e as funções na equipe.
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Atletas não podem participar de atividades
Em nota enviada ao Metrópoles, a CBFA informou que o afastamento permanecerá em vigor até a conclusão da sindicância interna.
“A medida permanecerá vigente até a conclusão dos trabalhos da Comissão de Sindicância ou até ulterior deliberação da Presidência da CBFA ou do órgão estatutariamente competente” afirmou a entidade.
A confederação determinou que os atletas não participem de convocações, atividades das seleções brasileiras, competições nacionais, treinamentos, eventos e representações oficiais enquanto durar a investigação.
O que dizem os atletas afastados
Em nota ao NSC Total, Nicolas Quadro afirmou que as mensagens foram trocadas em uma “conversa privada e informal” e sustentou que o conteúdo não reflete sua atuação profissional nem sua relação com atletas.
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“Tenho plena convicção que a Confederação analisará os fatos com serenidade, imparcialidade e observância do devido processo e ampla defesa. Exercerei plenamente meus direitos constitucionais na esfera administrativa, apresentando todos os esclarecimentos e elementos necessários, com confiança na entidade e no meu histórico íntegro como pessoa e atleta, defensor do País em competições nacionais e internacionais.” (Veja a nota completa abaixo)
Também em nota, Felipe Aymoré defendeu sua trajetória no esporte e disse que “acompanha com preocupação os efeitos que esse cenário vem produzindo na comunidade esportiva”. “Da minha parte, permaneço totalmente à disposição para contribuir com quaisquer esclarecimentos que possam auxiliar uma apuração completa, célere e justa. Acredito que esse é o caminho mais adequado para que os fatos sejam compreendidos em sua integralidade e para que a comunidade possa seguir fortalecida”, escreveu. (Veja a nota completa abaixo)
Campeonato mundial ocorre em agosto
O caso ocorre a poucas semanas do Campeonato Mundial de Flag Football, marcado para ocorrer entre 13 e 16 de agosto, em Düsseldorf, na Alemanha. Além disso, a modalidade vive um momento de crescimento internacional e fará sua estreia nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028.
O que é o flag football?
O flag football é um esporte consiste em uma variação do futebol americano com menos contato físico, na qual, ao invés de derrubar o adversário com um tackle para parar a jogada, o atleta deve retirar uma fita (a flag) que está presa a um cinto na cintura do rival.
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O que diz Nicolas Quadro
“Esclareço que as mensagens faziam parte de uma conversa privada e informal entre várias pessoas de um grupo fechado, não representando minha vida profissional e o meu trato com atletas e a sociedade.
Há mais de sete anos atuo na construção e no desenvolvimento de um projeto esportivo de flag football masculino e feminino. Ao longo desse período, tive a oportunidade de trabalhar diretamente na formação esportiva e pessoal de dezenas de atletas, homens e mulheres, incentivando sua participação, crescimento e permanência no esporte. Esse trabalho sempre foi pautado pelo compromisso com o desenvolvimento humano, pelo respeito e pela criação de oportunidades para que atletas possam evoluir dentro e fora dos campos.
Ressalto ainda que todo o procedimento instaurado tramita sob sigilo. Tenho plena convicção que a Confederação analisará os fatos com serenidade, imparcialidade e observância do devido processo e ampla defesa. Exercerei plenamente meus direitos constitucionais na esfera administrativa, apresentando todos os esclarecimentos e elementos necessários, com confiança na entidade e no meu histórico íntegro como pessoa e atleta, defensor do País em competições nacionais e internacionais.
Permaneço colaborando com os procedimentos em curso e reafirmo meu compromisso com os valores do respeito, da ética e da responsabilidade.”
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O que diz Felipe Aymoré
“Nos últimos dias, a divulgação de mensagens provenientes de um grupo privado gerou grande repercussão dentro e fora da comunidade do flag football. A amplitude que o tema vem tomando, frequentemente acompanhada de interpretações e conclusões antecipadas, tem contribuído para um ambiente de tensão que afeta toda a comunidade esportiva. Diante desse cenário, considero importante compartilhar algumas reflexões.
Há mais de seis anos faço parte do desenvolvimento da modalidade, atuando como atleta, coordenador defensivo, treinador de categorias de base e colaborador em iniciativas voltadas ao crescimento do esporte, incluindo trabalhos com equipes femininas. Sempre enxerguei o flag football como um ambiente de aprendizado, respeito, construção coletiva e oportunidades para muitas pessoas.
Por isso, acompanho com preocupação os efeitos que esse cenário vem produzindo na comunidade esportiva. O tema está sendo apurado pela CBFA, e até o presente momento não há qualquer decisão definitiva sobre os fatos em análise. Tenho confiança de que o processo seguirá seu curso com responsabilidade, equilíbrio e a devida consideração a todos os envolvidos.
Da minha parte, permaneço totalmente à disposição para contribuir com quaisquer esclarecimentos que possam auxiliar uma apuração completa, célere e justa. Acredito que esse é o caminho mais adequado para que os fatos sejam compreendidos em sua integralidade e para que a comunidade possa seguir fortalecida.
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Representar minhas equipes e a Seleção Brasileira sempre foi uma responsabilidade que assumi com muita seriedade. Ao longo dessa trajetória, procurei contribuir para o crescimento do esporte e para a formação de atletas dentro e fora de campo, valores que continuam guiando minha atuação.”

