O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tentou articular maneiras de manter o mandato do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), mesmo fora do Brasil. É o que diz o relatório da Polícia Federal divulgado nesta quinta-feira (21). De acordo com a PF, Bolsonaro e o filho trocaram mensagens no dia 2 de junho de 2025, com um conteúdo de um interlocutor, que teria conversado com uma fonte do governo de São Paulo, enviado ao ex-presidente e depois ao deputado. As informações são da CNN.
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A mensagem dizia que a Constituição e o Regimento da Câmara permitiam a possibilidade de uma nova licença parlamentar se o afastamento fosse motivado por uma “missão temporária de interesse público – o que pode incluir uma atuação diplomática vinculada ao governo estadual, se bem justificada.”
O caminho para essa atuação diplomática seria por uma nomeação do governador de São Paulo, com uma estratégia para transformar a licença em “caráter institucional”. Isso porque, com o fim da atual licença, que durou 120 dias, Eduardo Bolsonaro pode perder o mandato pela quantidade de faltas não justificadas na Câmara dos Deputados.
Bolsonaro teria, então, encaminhado o texto com a mensagem “sugestão” e um áudio ao assessor.
— Hoje eu mandei acima uma matéria aí sobre a possibilidade dele recuperar o mandato dele e ficar fora do Brasil. Vê aí, que já que você conhece muita gente aí, dessa possibilidade, tá ok? Daí resolve o problema de vocês aí. Valeu — disse.
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No dia 5 de junho, Bolsonaro também teria encaminhado para o deputado Eduardo Bolsonaro e outros 47 deputados federais uma mensagem pedindo apoio para um projeto, de autoria do deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES), que modifica o Regimento Interno da Câmara dos Deputados, segundo a PF, permitindo que deputados possam exercer os cargos fora do país, sem perder os mandatos.
Já no dia 1° de julho, Bolsonaro envia um áudio para o assessor de Eduardo, Carlos Eduardo Guimarães, pedindo para que os deputados achassem “no regimento de vocês aí, a licença por até quatro meses”. “Tira uma fotografia e manda pra mim. Eu quero preparar aqui, botar uma vírgula, para poder ser prorrogado por mais um período”, disse. Ele teria mandado, também conforme o relatório da PF, uma imagem do regimento interno com um áudio, dizendo que a letra estava muito pequena.
— Onde está escrito “licença será concedida por tantos meses”? Eu quero botar uma vírgula “podendo ser prorrogados por mais tanto”. Onde é que está isso aí? — perguntou.
Depois, Carlos Eduardo encaminhou uma sugestão para ser adicionada no regimento interno. Bolsonaro, então, manda mais um áudio afirmando que falou com o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido na Câmara, e que o assessor poderia entrar em contato com o gabinete dele para “colher assinatura”, segundo a PF.
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— Sóstenes, abusando da tua boa vontade aí… vê se a gente pode nesse dispositivo aí do regimento interno, prorrogando por igual período, mais quatro meses. Vê se é possível aí. Ou seja, um projeto de resolução — disse Bolsonaro em outro áudio.
No entendimento da PF, “diálogos armazenados no material analisado demonstram que o Projeto de Resolução 53/202559 foi protocolado pelo deputado federal Sóstenes Cavalcante na casa legislativa, após Jair Bolsonaro enviar, no dia 01 de julho de 2025, uma captura de tela do Regimento Interno da Câmara dos Deputados e um áudio para o parlamentar. A imagem destaca o trecho que trata das formas de obtenção da licença de interesse particular”.
O deputado, então, teria encaminhado o projeto com a mensagem “protocolado”, de acordo com a PF.
Veja histórico de Bolsonaro
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