A gasolina vendida nos postos brasileiros terá ainda mais etanol. O Conselho Nacional de Política Energética autorizou temporariamente o aumento da mistura obrigatória de 30% para 32% de etanol anidro, criando a chamada gasolina E32. A medida valerá por 180 dias e poderá ser prorrogada por igual período.

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Para os carros flex, a mudança não deve trazer grandes preocupações. Esses veículos foram projetados para funcionar com diferentes proporções de gasolina e etanol. A atenção maior recai sobre automóveis antigos, clássicos, importados e modelos desenvolvidos exclusivamente para gasolina, que podem exigir revisão e, em alguns casos, adaptação de componentes do sistema de alimentação.

Enquanto o Brasil aumenta a participação do etanol para reduzir o consumo de gasolina fóssil, quatro gigantes iniciaram na Europa um caminho diferente. BMW, Toyota, Bosch e Repsol começaram a testar uma gasolina produzida integralmente com matérias-primas renováveis e capaz de funcionar em carros comuns sem qualquer alteração no motor.

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Gasolina renovável não é gasolina com mais etanol

Apesar da ligação com a mudança brasileira, a gasolina 100% renovável testada na Espanha é uma solução diferente da E32.

No Brasil, a gasolina comum continuará sendo formada por 68% de gasolina e 32% de etanol anidro. Já a Nexa 95, desenvolvida pela Repsol, é produzida integralmente a partir de matérias-primas renováveis que atendem às regras ambientais da União Europeia.

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O resultado é um combustível com propriedades semelhantes às da gasolina convencional. Por isso, ele pode ser colocado diretamente no tanque de automóveis atuais sem a necessidade de modificar motor, injeção eletrônica, mangueiras ou bombas dos postos.

Esse tipo de combustível é conhecido como drop-in. Ele foi desenvolvido para substituir o produto convencional sem obrigar o motorista a comprar outro carro ou depender da construção de uma nova rede de abastecimento.

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Teste reúne carros comuns de BMW, Toyota e Lexus

O projeto terá duração de seis meses e será realizado em condições normais de circulação na Espanha. A frota reúne aproximadamente 20 veículos das marcas BMW, Toyota e Lexus.

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Não são protótipos construídos especialmente para o experimento. A iniciativa utiliza automóveis de produção regular e já compatíveis com gasolina convencional.

Durante o período, os veículos serão abastecidos exclusivamente com a Nexa 95. O objetivo é comprovar que a gasolina renovável pode ser utilizada continuamente, mantendo o funcionamento dos carros e aproveitando a infraestrutura existente.

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A escolha da Espanha não foi casual. A Repsol é atualmente a única empresa que oferece gasolina de origem 100% renovável em postos públicos do país. O combustível começou a ser produzido em escala industrial no complexo da companhia em Tarragona.

Bosch vai vigiar cada abastecimento

A participação da Bosch está ligada ao controle e à rastreabilidade do combustível. A empresa fornecerá uma plataforma chamada Digital Fuel Twin, que pode ser traduzida como gêmeo digital do combustível.

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O sistema cruzará dados enviados pelos veículos, pelos postos e pelos cartões utilizados nos abastecimentos. Com isso, será possível comprovar que os automóveis participantes rodaram exclusivamente com gasolina renovável.

Esse acompanhamento também ajudará a calcular o consumo e a redução de emissões atribuída ao combustível. A rastreabilidade é um dos pontos mais importantes do projeto, porque permite confirmar a origem renovável do produto desde sua fabricação até o tanque do automóvel.

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Combustível ainda libera gases pelo escapamento

A expressão “100% renovável” não significa que o automóvel deixa de emitir gases. A combustão continua ocorrendo dentro do motor, e o escapamento ainda libera dióxido de carbono e outros poluentes.

A diferença está na origem das matérias-primas e no cálculo de todo o ciclo de produção. Segundo a Repsol, a Nexa 95 pode reduzir as emissões líquidas de CO₂ em mais de 70% quando comparada à gasolina convencional.

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O percentual considera desde a produção do combustível até seu consumo no veículo. Trata-se de uma estimativa da própria empresa e não de uma redução de 70% medida apenas no escapamento.

Brasil e Europa seguem caminhos diferentes

O Brasil possui uma vantagem que poucos países conseguiram reproduzir: uma frota enorme de carros flex e uma cadeia consolidada de produção de etanol de cana-de-açúcar e milho.

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Ao elevar a mistura para 32%, o governo espera reduzir em cerca de 900 milhões de litros por ano a necessidade de importar gasolina, além de ampliar a demanda pelo etanol produzido no país. A autorização da E32 também aproxima o Brasil do limite de 35% permitido pela Lei do Combustível do Futuro, desde que novos estudos técnicos sustentem outra elevação.

Na Europa, onde os automóveis flex são pouco comuns, a gasolina renovável surge como uma alternativa para aproveitar milhões de veículos e milhares de postos já existentes.

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As duas estratégias tentam alcançar um objetivo semelhante por caminhos diferentes. O Brasil acrescenta mais etanol à gasolina. A experiência espanhola tenta substituir a própria origem fóssil dos componentes que formam o combustível.