Dona das marcas Brastemp e Consul, a Whirpool anunciou um investimento de mais de R$ 300 milhões para transformar sua fábrica em Rio Claro, no interior de São Paulo, no maior polo de manufatura de lavadoras da América Latina. A empresa estima que a expansão vai gerar 2,8 mil empregos diretos e indiretos na região.

Continua depois da publicidade

As primeiras máquinas devem sair da linha de montagem em setembro deste ano. A movimentação ocorre após a Whirpool encerrar sua operação na Argentina e trazer sua linha de produção de máquinas de lavar front-load para o Brasil. 

A fábrica trabalhará com mais de 20 robôs industriais e deve produzir com 95% de componentes fabricados no Brasil. A medida reduz a dependência de peças importadas e torna a operação menos vulnerável às variações cambiais e interrupções logísticas.

FOTOS: Como é a fábrica da Whirpool em Joinville

Dona da Brastemp e Consul leva fábrica da Argentina ao Brasil

A fábrica de Pilar, na Grande Buenos Aires, havia sido inaugurada em 2022 com um investimento de R$ 270 milhões. A unidade tinha capacidade de produzir 300 mil máquinas de lavar por ano. Menos de três anos depois, em novembro de 2025, a Whirlpool anunciou seu fechamento.

Em abril de 2026, a decisão foi formalizada pelo conselho da empresa, que aprovou a transferência dos ativos argentinos, avaliados em US$ 36,7 milhões (cerca de R$ 194 milhões), para reforçar a unidade paulista.

Continua depois da publicidade

O país vizinho ao Brasil continuará sendo abastecido por produtos fabricados em outras unidades do grupo e distribuídos pela operação local. A manufatura, que antes gerava atividade em Pilar, migrou definitivamente para o Brasil.

O que motivou a vinda da fábrica ao Brasil?

A adoção de um programa de austeridade fiscal, abertura comercial e desregulamentação por Javier Milei, presidente argentino, gerou impacto na indústria. O setor de eletrodomésticos foi um dos mais atingidos. 

Dados do Instituto Nacional de Estadística y Censos (INDEC) mostram que a produção de aparelhos de uso doméstico caiu 38% em fevereiro de 2026, em comparação com o mesmo período no ano anterior. A queda foi puxada principalmente pela menor fabricação de geladeiras e máquinas de lavar, em meio ao avanço de produtos importados mais baratos.