O retorno do BTS aos palcos em 2026 veio acompanhado de expectativa, mas também de sentimentos que nem todo mundo via de fora. Depois de quase quatro anos em hiato, período em que os sete integrantes cumpriram o serviço militar obrigatório na Coreia do Sul e seguiram caminhos solo, a volta levantou uma pergunta inevitável: como seria trabalhar juntos de novo depois de tanto tempo separados?
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Esse foi um dos pontos centrais da entrevista mais recente do grupo à Rolling Stone. RM, Jin, Suga, J-Hope, Jimin, V e Jung Kook falaram abertamente sobre esse reencontro e sobre como as experiências individuais acabaram aproximando ainda mais o BTS.
O medo de conflitos e a surpresa do reencontro
Durante o hiato, todos lançaram músicas solo e viveram conquistas importantes fora do grupo. Isso fez com que alguns voltassem com uma certa apreensão sobre como seria retomar o trabalho em conjunto.
V contou à Rolling Stone que imaginava um cenário complicado. Depois de fortalecer o próprio ego e formar opiniões artísticas mais firmes, ele achava que o reencontro poderia gerar conflitos. Mas aconteceu justamente o contrário: todos voltaram mais abertos, atentos e interessados no que cada um tinha aprendido durante esse tempo separados. — Todos voltaram mais abertos e maduros — afirmou.
Para ele, trabalhar em ARIRANG virou uma experiência de troca. Em vez de disputas criativas, houve escuta algo que marcou profundamente o processo.
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O impacto do serviço militar e o crescimento pessoal
O hiato começou oficialmente em 2022, quando os membros passaram a se alistar, cada um em seu tempo. Jin foi o primeiro, no fim daquele ano, e concluiu o período padrão de 18 meses em junho de 2024. Os outros seguiram o mesmo caminho nos anos seguintes.
Longe dos palcos e da rotina intensa do BTS, o grupo viveu um silêncio forçado e também um período de muita reflexão. RM comentou que o pós-exército não trouxe respostas prontas, mas muitas dúvidas. — Ainda estou muito confuso — disse ele na entrevista, deixando claro que crescer também passa por admitir incertezas. — Pensei milhares de vezes se deveríamos encerrar ou pausar o grupo — admitiu.
Esse estado emocional acabou influenciando diretamente o novo álbum. Para RM, continuar como grupo só faria sentido se o BTS estivesse disposto a se desafiar. Do contrário, não haveria um motivo verdadeiro para voltar.
As carreiras solo como parte do processo
Enquanto o grupo estava separado, cada integrante seguiu seu próprio ritmo. Jimin fez história ao se tornar o primeiro artista solo sul-coreano a chegar ao topo da Billboard Hot 100. J-Hope também entrou para a história como o primeiro sul-coreano a ser atração principal de um grande festival nos Estados Unidos, o Lollapalooza.
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Essas conquistas mudaram a dinâmica entre eles. J-Hope contou que os projetos solo o ajudaram a entender melhor sua identidade artística e, ao mesmo tempo, a perceber o quanto o grupo completa aquilo que ele não consegue expressar sozinho. Para ele, o reencontro deixou ainda mais claro por que o BTS sempre funcionou como sete.
— Eu sentia que estava preso em algum tipo de molde que me impedia de me expressar com a liberdade que eu queria. Eu queria quebrar esse molde e me apresentar ao mundo com meu verdadeiro eu e com toda a música que queria compartilhar. Mas agora que fiz mais músicas próprias, me desafiei, não diria mais que estou dentro de uma caixa. Agora, fico pensando: o que posso criar fora dela? — destacou.
Suga compartilhou dessa visão. — Sempre soube que voltaríamos — disse. Na opinião dele, os caminhos individuais não enfraqueceram a relação só deixaram o retorno mais firme e consciente.
O tempo perdido e o valor do grupo
Entre as histórias dessa fase, a de Jin ganhou destaque. No documentário BTS: O Reencontro, lançado junto com essa nova etapa, é mostrado que o cantor chegou aos estúdios quando ARIRANG já estava quase pronto. O motivo: ele ainda estava em turnê solo enquanto os outros participavam de um workshop criativo em Los Angeles.
Mesmo exausto, Jin fez questão de voar para se juntar ao grupo. Ele contou que se preocupava com os fãs durante o período em que todos estavam no exército e tentou manter essa conexão viva. Embora admita uma certa frustração por não ter participado mais do começo do álbum, ele fez questão de colocar as coisas em perspectiva.
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Para Jin, seguir sozinho nunca fez muito sentido se não for para voltar ao grupo.
— Sempre pensei que não há razão para continuar se não for com o grupo. Acho que uma carreira solo simplesmente não é tão importante para mim. Se eu fizesse qualquer coisa, seria tentar algo diferente dentro do grupo quando os fãs estiverem entediados. Não tenho interesse em atuar ou algo assim. — afirmou.
ARIRANG e uma volta que fez sentido
Lançado em 20 de março, ARIRANG é o primeiro álbum completo do BTS em quase seis anos. O impacto foi imediato: o disco estreou no topo da Billboard 200, vendeu milhões de cópias em poucos dias e confirmou que o público estava pronto e esperando por esse retorno.
Mais do que números, ARIRANG representa um novo começo. Um álbum feito por artistas que voltaram diferentes, mais maduros e mais conscientes do que significa seguir juntos.
Shows do BTS no Brasil
A turnê já tem datas confirmadas no Brasil e deve movimentar muito os fãs por aqui. Os shows estão marcados para os dias 28, 30 e 31 de outubro, no MorumBIS, em São Paulo.
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Com a turnê “ARIRANG”, o BTS mostra mais uma vez por que é um fenômeno global, com um show que mistura inovação, identidade e um repertório que passa por várias fases da carreira tudo pra entregar uma das turnês mais comentadas do ano.










