As farmacêuticas Moderna e MSD divulgaram nesta terça-feira (20) novos dados promissores sobre uma vacina experimental contra o melanoma, o tipo mais letal de câncer de pele. Segundo os resultados, a imunização reduziu em 49% o risco de morte ou de recorrência da doença cinco anos após o tratamento cirúrgico.

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A vacina, chamada intismeran autogene, está em fase avançada de testes clínicos e é administrada em conjunto com o pembrolizumabe (Keytruda), um anticorpo monoclonal já utilizado no tratamento do câncer. O estudo comparou a combinação dos dois medicamentos com o uso isolado do anticorpo em 157 pacientes que haviam passado por cirurgia para retirada do tumor.

Os novos dados fazem parte do acompanhamento de longo prazo da fase 2 dos ensaios clínicos e confirmam resultados divulgados anteriormente, após três anos, quando já havia sido observada a mesma redução de 49% no risco de morte ou retorno do câncer e de 62% no risco de morte ou metástase.

Diante dos resultados, a vacina recebeu nos Estados Unidos o status de “terapia inovadora” concedido pela FDA, a agência reguladora americana. A fase 3, última antes do pedido de aprovação, teve início em 2023 e deve ser concluída em 2030.

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Segundo a Moderna, os dados indicam um benefício prolongado da combinação terapêutica em pacientes com melanoma de alto risco. O laboratório afirma que mantém investimentos robustos nesse tipo de tecnologia e atualmente conduz oito ensaios clínicos de fase 2 e 3 para diferentes tipos de câncer, como pulmão, bexiga e rim.

A vacina utiliza a tecnologia de RNA mensageiro (RNAm), a mesma das vacinas contra a Covid-19, mas com uma diferença fundamental: trata-se de uma vacina terapêutica, não preventiva. Ela é personalizada para cada paciente, a partir de proteínas extraídas do próprio tumor, permitindo que o sistema imunológico reconheça e ataque as células cancerígenas, que normalmente conseguem escapar das defesas naturais do organismo.

Outras farmacêuticas também avançam nesse campo. A alemã BioNTech, por exemplo, desenvolve vacinas de RNAm contra melanoma, câncer de pulmão e câncer de pâncreas. Neste último caso, dados iniciais indicaram que metade dos pacientes ainda apresentava resposta imunológica três anos após a aplicação, associada a maior sobrevida.

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No Brasil, a Fiocruz retomou neste ano um projeto de vacina terapêutica contra o câncer com RNAm, ainda em fase inicial, focado inicialmente em um tipo de câncer de mama.

Especialistas avaliam que, devido ao estágio avançado dos testes, as primeiras vacinas terapêuticas contra o câncer devem ser aprovadas até o fim da década, possivelmente antes de 2030.

*Sob supervisão de Pablo Brito

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