O jornalista Chico Pinheiro, ex-âncora do Bom Dia Brasil da TV Globo, contou que foi diagnosticado com um câncer de intestino. Aos 72 anos, Chico revelou que passou por uma cirurgia e ficou mais de um mês internado.

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“A princípio [a cirurgia], [era] relativamente fácil, porque estava bem no começo, e uma cirurgia que era para ser feita em um dia e três dias depois eu ia para casa. Só que teve uma complicação posterior. (…) E eu passei uns belos dias na UTI. E a coisa mais presente na minha cabeça era você cantando. Ouvi você cantar uma música todo o tempo. Ouvia e chorava.”, disse enquanto entrevistava Zeca Baleiro.

Ele completou: “Não era chorar de medo nem de nada, não. Era de perceber as pessoas que, na correria, você não vê, né? E pessoas sofrendo com a doença. E eu dizia assim: ‘calma aí, você vai passar.’ Às vezes não vai, mas a gente fala: ‘você vai passar.’ Você entra no hospital como doente. Agora, para virar paciente, você tem que exercitar a paciência para os médicos poderem trabalhar. Então, eu ouvia essa música e chorava muitas vezes”.

Como o câncer de intestino se desenvolve?

O tumor colorretal se desenvolve no intestino grosso, também chamado de cólon, ou no reto. O principal tipo é o adenocarcinoma e, em cerca de 90% dos casos, ele se origina a partir de pólipos na região que, se não identificados e tratados, podem sofrer alterações ao longo dos anos, tornando-se malignos.

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Entre os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) no início do ano, um número chama atenção e preocupa especialistas: o câncer colorretal, que acomete o intestino grosso e o reto, aparece entre os tumores mais incidentes tanto em homens (10,3%) quanto em mulheres (10,5%), ocupando a segunda posição em ambos os sexos quando excluído o câncer de pele não melanoma.

As estimativas para o triênio 2026-2028 apontam aproximadamente 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil. Desse total, os tumores de cólon e reto representam cerca de 53.810 casos ao ano no período.

Diagnóstico tardio é o maior problema

Um dos maiores obstáculos no enfrentamento do câncer colorretal no Brasil é o diagnóstico tardio. Mais de 80% dos pacientes são diagnosticados em estágios avançados (3 e 4), muitas vezes em situações de emergência, quando o tumor já causou obstrução intestinal ou perfuração.

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“O câncer colorretal pode ser uma doença silenciosa e não causar sintomas imediatos. Mas, quando presentes, incluem alteração nos hábitos intestinais, sangramento retal, presença de sangue nas fezes, cólica abdominal, fadiga e perda de peso sem motivo aparente. O problema é que muitas pessoas ignoram esses sinais ou os confundem com outras condições, como hemorroidas ou síndrome do intestino irritável”, explica Alexandre Jácome, oncologista e líder nacional da especialidade de tumores gastrointestinais da Oncoclínicas.

Esse atraso no diagnóstico reduz drasticamente as chances de cura. Quando detectado precocemente, o câncer colorretal tem taxas de sobrevivência que podem superar 90%. Em estágios avançados, esse percentual cai para menos de 15%.

“É importante ressaltar que muitos desses sintomas podem ser causados por outras condições que não sejam câncer colorretal, como infecção, hemorroida ou síndrome do intestino irritável. Por isso a importância de, ao primeiro sinal de anormalidade, buscar por uma avaliação médica”, aconselha o médico.

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