Uma capivara ferida no Centro de Itajaí voltou a expor a falha no atendimento a animais silvestres em Santa Catarina. Apesar de um morador ter ligado para os órgãos ambientais pedindo ajuda, o bicho ficou horas sangrando na altura da barriga sem receber socorro veterinário.

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Situação semelhante ocorreu em fevereiro, em Blumenau, e motivou a criação de um protocolo sob a coordenação do Instituto do Meio Ambiente (IMA). Mas passados dois meses e meio do lançamento, o documento ainda não foi publicado no Diário Oficial do Estado.

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Conforme relato feito pelo morador à NSC TV neste fim de semana, ele se deparou com o animal ferido na Beira-Rio na sexta-feira (25) e tentou contato com as autoridades. Porém, na manhã seguinte, a capivara seguia machucada no mesmo local.

Conforme divulgado pelo IMA em julho, a Polícia Militar Ambiental (PMA) seria a responsável pelo resgate através de acionamento pelo telefone 190. Porém, ao ser questionada sobre o atendimento da capivara em Itajaí, informou que “só recolhe após o IMA indicar um local para receber o animal”.

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A polícia disse que, ainda assim, esteve no local na sexta-feira (25), fez contato com a veterinária do IMA e ouviu da profissional que não se tratava de uma situação para atendimento, pois aparentava ser uma lesão normal do ambiente. No impasse, o bicho ficou sem auxílio.

“Sem um local para destinação do animal indicado pelo IMA, não tivemos como recolher na sexta-feira. No sábado a situação foi melhor avaliada pelo IMA, que indicou um lugar para destinação do animal, o Zoo de Balneário Camboriú”, informou a Polícia Militar Ambiental.

Parecia ser, finalmente, a solução, mas não foi. Quando a PMA voltou à Beira-Rio para fazer a captura, o animal estava bastante agitado e o órgão disse ter pedido ao IMA a presença de uma veterinária para aplicar tranquilizante no animal. Entretanto, a capivara escapou antes da chegada da profissional.

Nesta segunda-feira (28), o animal ferido voltou a ser avistado em outro ponto de Itajaí, mas fugiu da polícia para dentro de uma área de mangue.

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“Os policiais militares ambientais que foram ao local perceberam que a ferida já está em vias de cicatrização, bem como o animal se demonstrou mais ativo, o que dá a entender que ele está se recuperando naturalmente”, disse a assessoria do IMA.

Na análise do instituto, “independente da portaria estar ou não em vigor, as equipes continuam a realizar os atendimentos”. O protocolo não teria sido publicado por falta de uma assinatura.

Imagem divulgada pelo IMA no anúncio do protocolo com a PMA

A capivara de Blumenau, que motivou a criação do protocolo do IMA, recebeu atendimento veterinário após 24 horas agonizando e acabou morrendo por causa da gravidade dos ferimentos. Na época, o ambientalista Lauro Bacca criticou a atenção dispensada aos animais silvestres em Santa Catarina:

— A população avançou 90% do espaço da fauna silvestre e tem a obrigação de, como contrapartida, ajudar esses animais. Não tem como eles se locomoverem, por exemplo, sem cruzar uma estrada [ficando sujeitos a atropelamentos]. Eles estão encurralados.

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