O casal de jovens encontrado morto em área de mangue, na sexta-feira (24) em Joinville, responsável pelo assassinato do religioso Edson Nazário, mentiu sobre o crime de latrocinio à uma facção criminosa, o que motivou o duplo homicídio, segundo a Polícia Civil. O casal estava desaparecido desde o crime. 

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O caso teve início quando Edson chegou à uma área de mata, no bairro Aventureiro, onde costumava orar, por volta das 6h do dia 17 de outubro, de acordo com Murilo Batalha, delegado do caso. Já o casal, responsável pela morte do religioso, estava no local desde a madrugada, consumindo bebidas alcoólicas e entorpecentes. 

De acordo com a Polícia Civil, a mulher e o homem, de 23 e 28 anos, respectivamente, teriam se incomodado com a presença de Edson, pois mantinham relações sexuais no local.  

Para a Polícia, após o anúncio do assalto, a vítima não teria reagido. O casal chegou a realizar uma transferência bancária para a própria conta a partir do telefone de Edson. Depois, o homem teve mãos e pés amarrados e foi atacado com um mata-leão. A causa da morte ainda não foi confirmada pela Polícia Científica

Suspeitos fugiram, mas foram identificados no mesmo dia

Os suspeitos levaram celular e a chave do automóvel utilizado na fuga, por volta de 8h30min. Ainda segundo a Polícia Civil, o casal ficou em um motel da região durante a manhã toda e, depois, foram até a Zona Sul da cidade para trocar o carro e o celular da vítima por drogas.

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No entanto, no ponto de venda de entorpecentes, no Bairro João Costa, os suspeitos mentiram sobre a origem do carro para conseguir efetuar a troca.

— Eles (o casal) alegaram que esse carro seria fruto de um estelionato, que seria de golpe contra uma seguradora (…), quando na verdade seria fruto de latrocínio — afirma o delegado Rafaello Ross.

Como o casal acabou assassinado

Após a apuração das circunstâncias, a Polícia Civil realizou diversas diligências na Zona Sul da cidade, com pessoas encaminhadas à delegacia, o que teria incomodado e gerado “tumulto” à facção criminosa que atua na região. Por isso, o casal foi procurado e sequestrado, pelos próprios integrantes da facção, no Bairro Iririú, na terça-feira (21).

Os dois autores do homicídio de Edson foram levados para um cativeiro no Bairro Comasa, onde foram torturados. A Polícia Civil realizou diligências no local e prendeu um homem de 56 anos em flagrante, mas o casal não foi localizado.

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Os corpos foram encontrados apenas na sexta-feira (24), por um morador do bairro que encontrou um corpo no mangue. Segundo o delegado, os dois corpos tinham cortes profundos no pescoço e estavam amarrados.

O duplo homicídio agora será investigado pelo Departamento de Investigações Criminais (DIC) para identificar autores, mandantes e esclarecer a motivação do crime.

Relembre o caso

De acordo com a Polícia Civil, a jovem de 23 anos estaria desaparecida desde terça-feira (21), um dia depois que o corpo de Edson foi encontrado. Conforme a Polícia Militar, um homem caminhava pela região do Bairro Comasa, quando observou escavações em alguns pontos da terra. Em determinado local, ele acabou encontrando parte de um dos corpos e acionou a PM. Os cadáveres eram da jovem desaparecida e do namorado dela, de 28 anos.

Ambos eram suspeitos do latrocínio que terminou com a morte de Edson. O homem de 56 anos estava desaparecido desde a madrugada da última quinta-feira (16) e foi encontrado somente na segunda, na Avenida Santos Dumont, no Bairro Aventureiro. De acordo com familiares, o carro da vítima foi encontrado na Zona Sul da cidade com dois dependentes químicos, que fugiram ao perceber a chegada da polícia.

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A vítima só foi localizada na manhã de segunda-feira (20), quando o pastor da igreja reuniu um grupo de pessoas para buscas na região. O corpo de Edson foi encontrado com os pés e mãos amarrados.

*Sob supervisão de Leandro Ferreira