O casal Jefferson Luiz Sagaz e Ana Carolina Silva, encontrado morto dentro de uma banheira de um motel em São José, na Grande Florianópolis, no dia 11 de agosto, não tinha o hábito de usar cocaína, de acordo com as investigações da Polícia Civil. A informação foi divulgada em coletiva de imprensa, nesta quarta-feira (1º), que apresentou os resultados do inquérito da Polícia Civil.

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Família de mulher morta em motel de SC questiona investigação e levanta nova suspeita

Os dois morreram devido ao uso de cocaína e álcool, associado à permanência dentro da banheira com água quente, que pode ter chegado a 50°C, conforme laudos da Polícia Científica. Segundo o inquérito, eles entraram em estado de torpor na banheira e não conseguiram sair da situação, passando por um processo de intermação (hipertermia induzida pelo calor) que causou falência dos órgãos.

Segundo o delegado Felipe Simão, responsável pelo caso, os dois tinham uma vida social agitada. No entanto, pessoas próximas relataram que eles não tinham o hábito de usar cocaína.

— Pode ser que a constituição corporal, tanto dele quanto dela, não fossem compatíveis com o uso uma substância como essa, principalmente associado à ingestão de bebida alcoólica — afirmou o delegado.

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Últimos passos

Jefferson e Ana Carolina tiveram um domingo agitado antes de irem ao motel, conforme o delegado Felipe Simão. A comemoração começou por volta das 10h da manhã, em um food park no bairro de Capoeiras, em Florianópolis, onde passaram o dia ingerindo uma grande quantidade de bebida alcoólica.

Por volta das 21h, eles saíram acompanhados de amigos para uma casa noturna, ainda conforme o delegado. Permaneceram no local por algumas horas e, depois, decidiriam ir para uma outra festa em uma boate no bairro de Coqueiros. No entanto, uma amiga que os acompanhava, percebendo o estado de embriaguez de Ana Carolina, alertou que ela não estaria em condições de entrar. O casal então desistiu do plano e, por volta da meia-noite, deu entrada no motel na região de São José.

Ana e Jefferson foram encontrados mortos na noite do dia seguinte, após familiares darem falta do casal. Os corpos foram achados na banheira sem sinais de violência. Mais tarde, laudos descartaram as possibilidades de afogamento, choque elétrico e intoxicação por monóxido de carbono.

Veja fotos do casal

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Causa da morte

O inquérito foi concluído em 16 de setembro. De acordo com a perita-geral Andressa Fronza, a causa da morte foi “intoxicação exógena, favorecendo o processo de intermação com desidratação intensa, colapso térmico, terminando com a falência orgânica e a morte”.

Segundo delegado Felipe Simão, responsável pelo caso, a água da banheira pode ter chegado a 50°C. Além disso, a ventilação de ar quente estava ligada. Resquícios de cocaína foram encontrados no quarto do motel, conforme o delegado.

O diretor de Medicina Legal da Polícia Científica, Fernando Oliva da Fonseca, explicou que os níveis de álcool no sangue eram altíssimos – 18,14 decigramas por litro para Ana Carolina e 16,4 para Jefferson. Para referência, níveis entre 3 e 5 decigramas por litro já podem induzir ao coma em algumas pessoas, conforme o diretor.

— A tendência das pessoas quando entra numa banheira, se ela vai esquentando demais, a pessoa tem uma reação de ou desligar, ou misturar com água fria ou sair da banheira. (Com o uso de drogas e álcool) Pode ter havido justamente isso: a pessoa entra em torpor, a temperatura vai subindo e ela não sente isso e não tem uma reação de defesa, uma reação de fuga do calor — explicou o diretor de medicina legal da Polícia Científica, Fernando Oliva da Fonseca.

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“Coração gigante”

Segundo a família, Ana Carolina e Jefferson estavam juntos há cerca de 20 anos, entre namoro e casamento. Eles eram pais de uma menina de quatro anos e viviam no bairro Campinas, em São José.

Jefferson era policial militar, trabalhava como guarda na Academia de Polícia Militar da Trindade e estava de folga no dia da morte. Segundo o comandante da PM Cleber Pires, ele era uma pessoa querida entre colegas.

— Era um excelente policial militar e desempenhava com alegria suas funções — descreveu o comandante, responsável pela instituição.

Ana Carolina era dona de uma franquia de esmalterias com unidades nos bairros Campinas e Kobrasol. Ela fundou a empresa há cerca de nove anos, e o empreendimento se tornou um sucesso.

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— A Ana era dinâmica, autêntica. Ela era a cara da empresa — conta a Joice.

Segundo a familiar, Ana era apaixonada pela filha.

— Nada que eu fale vai chegar perto do que ela era… Um coração gigante, mãe super dedicada. Uma filha e irmã incrível, carinhosa e batalhadora — relembra Joice.

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