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    Caso Ana Beatriz

    Caso Ana Beatriz: menina foi morta em Rio do Sul por amigo da família, diz MP 

    Conforme Ministério Público, três homens tiveram envolvimento no crime; um deles teria simulado o suicídio da vítima e chamou a PM

    06/05/2020 - 20h01 - Atualizada em: 07/05/2020 - 09h31

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    Bianca
    Por Bianca Bertoli
    Ela estava a caminho da escola quando aceitou carona de um conhecido dos pais
    Ela estava a caminho da escola quando aceitou carona de um conhecido dos pais
    (Foto: )

    Três homens foram denunciados pelo Ministério Público (MP) por envolvimento na morte de Ana Beatriz Schelter, 12 anos, em Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí. Em março de 2016 a menina sumiu a caminho da escola e foi encontrada morta no dia seguinte, com sinais de violência sexual. O corpo foi encontrado dentro de um contêiner de uma empresa de banheiro químico. Uma corda no pescoço tentava forjar uma hipótese de suicídio. Mais tarde, exames apontariam que ela teria sido morta menos de uma hora depois de desaparecer.

    Algumas respostas foram dadas no documento recebido pela Justiça de Rio do Sul nesta terça-feira (5). Um dos acusados era próximo à família e teria oferecido carona à pequena, que caminhava às margens da BR-470. O homem estava com um comparsa. De lá, eles teriam ido para um local ainda desconhecido pela acusação, onde a violentaram, causando graves lesões em Ana Beatriz.

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    Na sequência, teriam matado a criança "por asfixia por esganadura", conforme informações da promotoria. O terceiro acusado teria auxiliado a dupla colocando a jovem dentro do contêiner, simulando o suicídio. Depois, acionou a Polícia Militar relatando que havia encontrado o corpo na empresa em que trabalhava, no bairro Barra da Itoupava. À época, chegou a contar, em entrevista ao Santa, que levou um susto ao se deparar com a garota morta.

    O homem que ofereceu carona à Ana Beatriz trabalhava em uma empresa que fica ao lado da casa da vítima e frequentava a mesma igreja que a menina ia com os pais. Os outros dois não eram conhecidos da família. Para o MP, os dois primeiros acusados devem responder por crimes como estupro de vulnerável e homicídio qualificado, entre outros, por feminicídio. Se condenados, a pena pode chegar a 60 anos de prisão. O que os ajudou foi denunciado por fraude processual qualificada, que gera até quatro anos de detenção.

    Próximos passos

    A denúncia ocorre após o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo (Gaeco) assumir as investigações, em novembro de 2019. Em fevereiro deste ano o grupo deflagrou a Operação Fênix, quando cumpriu mandados de busca e apreensão e de prisão de dois homens. O mandado de prisão do terceiro denunciado (que chamou a PM e forjou o suicídio) também foi cumprido, mas ele já está em liberdade. Os outros dois seguem detidos.

    — Os fatos apurados chamaram a atenção pela crueldade e frieza dos executores dos bárbaros crimes. Agiram motivados pelo sentimento de menosprezo e discriminação à condição de mulher, tratando-se, infelizmente, de mais um caso de feminicídio, que ganha contornos ainda mais desumanos por se tratar de uma vítima que contava apenas com 12 anos de idade — lamentou a promotora do caso, Débora Pereira Nicolazzi.

    Agora terá início a instrução criminal, com a produção de provas em juízo e a apresentação de alegações pelo Ministério Público e pela defesa dos acusados, para, ao final da primeira etapa do processo, ser proferida decisão judicial determinando se os acusados serão ou não submetidos a júri popular.

    — Foi um dos casos mais difíceis já investigados pelo Gaeco, sobretudo em razão do tempo decorrido entre o fato e o início da nossa atuação — declarou o coordenador da instituição, o promotor Carlos Eduardo Cunha.

    *Os nomes dos acusados não foram revelados porque a reportagem não conseguiu contato com a defesa.

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