Um crime que ganhou repercussão na região de Chapecó há quase sete anos, terminou com uma reviravolta. A mulher acusada de contratar uma cartomante para matar a atual do ex-companheiro foi absolvida pelo júri popular na sexta-feira (27). Era mais de 23h30min quando a sessão de julgamento terminou.

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Foram 15 horas de trabalhos que terminaram com a absolvição da ré, que comprovou inocência na acusação de tentativa de homicídio qualificado por uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e motivo fútil, segundo o Tribunal de Justiça (TJSC). A mulher foi acusada de ter mandado matar a atual companheira do ex-marido, na esperança de reatar o relacionamento. 

Na parte da manhã, o conselho de sentença foi composto, por sorteio, por sete mulheres. Foram exibidos dois vídeos com depoimentos de testemunhas e outras duas pessoas foram ouvidas presencialmente. Após o intervalo para almoço, a tarde iniciou com interrogatório da ré, que optou em responder apenas às perguntas dos advogados. 

Depois das apresentações de acusação e defesa, cada uma com tempo máximo de uma hora e 30 minutos, houve a réplica do promotor de justiça, seguida da tréplica da defesa. Passava das 23h30min quando a sentença foi lida, informando que ela havia sido absolvida.

O que dizia a denúncia

De acordo com a denúncia, a ré teria procurado uma cartomante em busca de reconciliação com o ex-marido. Como o feitiço, que custou cerca de R$ 300 mil, não deu certo, a cartomante teria proposto o homicídio da atual companheira do homem. Um atirador teria sido contratado pelo marido da cartomante para executar o crime e recebeu a orientação de simular um latrocínio, ou seja, roubo seguido de morte. 

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Dos R$ 35 mil prometidos, R$ 15 mil foram pagos antecipadamente. Na tarde de 3 de junho de 2019, no Centro de Chapecó, três disparos atingiram a cabeça da vítima, que foi socorrida a tempo de se recuperar. 

O autor dos disparos, de nacionalidade paraguaia, fugiu em uma motocicleta e foi preso minutos depois. Ainda segundo a denúncia apresentada, a cartomante, então, exigiu mais dinheiro da mulher para que ela e o marido saíssem da cidade. Sob ameaça de morte contra ela e o neto, a acusada entregou cheques no total de R$ 800 mil, dos quais R$ 90 mil foram compensados. 

Em 25 de novembro de 2021, o autor dos disparos foi condenado a 15 anos e oito meses de prisão, em regime fechado. Em maio de 2022, aconteceu o segundo júri do caso, em que a cartomante foi condenada a quatro anos de reclusão pelo crime de extorsão, por ter constrangido a mulher a efetuar pagamento de quantia econômica, mediante ameaça de morte contra ela e o neto. No mesmo júri, o marido da cartomante foi condenado a 12 anos de prisão, em regime fechado.

Segundo o TJSC, o processo está em segredo de Justiça.

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