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Opinião

Caso Maurício Souza é exemplo para esporte não normalizar manifestações preconceituosas

Confira a análise de Chico Lins sobre a repercussão das manifestações do jogador de vôlei que acabou demitido pelo Minas

27/10/2021 - 18h19 - Atualizada em: 27/10/2021 - 19h09

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Chico
Por Chico Lins
Maurício Souza teve seu contrato rescindido pelo time de vôlei do Minas
Maurício Souza teve seu contrato rescindido pelo time de vôlei do Minas
(Foto: )

Não é novidade para ninguém que vivemos tempos de polarização. No esporte, e em especial no vôlei, o panorama não é diferente. É inadmissível que no vôlei, onde a comunidade LGBTQIA+ está também muito presente, tanto dentro da quadra como no público, ainda exista esse tipo de postura.

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Maurício Souza teve seu contrato rescindido pelo Minas - um dos clubes mais tradicionais do esporte brasileiro - por pressão dos patrocinadores (Fiat e Gerdau) por ter feito declarações homofóbicas em algumas postagens na sua conta pessoal de uma rede social.

A manifestação teve resposta imediata de vários jogadores e jogadoras de voleibol, como Douglas Souza, seu companheiro de seleção, Carol Gattaz, Sheilla, Fabi Alvim, Carol Solberg, entre outros muitos, condenando a postura do meio de rede.

E também teve, infelizmente, atletas sendo preconceituosos por tabela, “curtindo” e apoiando a manifestação homofóbica de Maurício Souza. Nenê Hilário, Wallace, Sidão e até mesmo Tinga, ex-jogador de futebol que sofreu muito por conta do racismo em sua carreira.

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Em um jogo contra o Real Garcilaso, disputado no Peru, ele foi alvo dos torcedores locais que imitavam o som de macaco. Ao final daquela partida, Tinga se manifestou: “Eu queria, se pudesse, não ganhar nada e ganhar esse título contra o preconceito. Trocava todos os meus títulos pela igualdade em todas as áreas”.

Pois é, Tinga, o que você sentiu, muita gente sente todos os dias, por esse motivo não podemos normalizar manifestações preconceituosas como as do Mauricio Souza em hipótese alguma.

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O esporte é uma verdadeira universidade e nos repassa valores inegociáveis, como tolerância, solidariedade, respeito, persistência e socialização. São pontos importantes na formação de qualquer ser humano e necessários para o convívio em sociedade.

É inaceitável que em pleno 2021 ainda existam atletas, e isso vale para qualquer outra pessoa, que tentam esconder o seu preconceito sob o guarda-chuva da liberdade de expressão. Não é liberdade de expressão. Não é opinião. É crime.

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