Em 70 dias, mais de 3 mil pessoas foram salvas pelo Corpo de Bombeiros Militar de afogamentos no litoral de Santa Catarina. O número aponta que foram feitos, em média, cerca de 43 salvamentos por dia na alta temporada, realizada entre 15 de dezembro de 2025 e 22 de fevereiro de 2026.
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De acordo com a corporação, mais de 13 milhões de ações preventivas foram feitas, 18% a mais do que na temporada anterior, quando foram 11 milhões de prevenções, com orientações verbais, sinalização e monitoramento.
Arrastamentos e correntes de retorno representam grande perigo
Dos 3.027 salvamentos realizados, 2.951 foram causados por arrastamentos, segundo a corporação. Os arrastamentos acontecem por conta das correntes de retorno, um dos maiores riscos “invisíveis” nas praias de Santa Catarina. Os bombeiros explicam que as correntes surgem quando a água que “bate na areia” encontra um caminho para voltar ao mar de forma concentrada, puxando a pessoa para fora do raso rapidamente.
A subcomandante do Batalhão de Florianópolis, major Natália Cauduro da Silva, é necessário que o banhista fique atento às condições do mar. As correntes de retorno são demarcadas na areia com bandeiras vermelhas, informando onde a pessoa não deve entrar na água.
— A quantidade de água que chega à praia é proporcional à que precisa retornar ao mar, portanto, quanto mais água vem das ondas e quanto maiores elas são, maior fica a corrente. É preciso que o banhista fique atento e, se perceber que está sendo puxado, acene por ajuda ao guarda-vidas e nade paralelamente à praia ou flutue até a ajuda chegar. Não gaste energia nadando contra a corrente, já que ela é mais forte que você — explicou.
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Menos mortes que na temporada anterior
De acordo com o Corpo de Bombeiros, foram confirmadas 31 mortes por afogamento até esta segunda-feira (23) durante o período da alta temporada de verão. Dessas, 25 aconteceram em áreas sem guarda-vidas, sendo 11 em praias e 14 em rios, enquanto outras seis mortes foram registradas em áreas guarnecidas.
Na temporada anterior, foram 40 óbitos confirmados. Segundo os bombeiros, o risco se concentra nas áreas sem supervisão técnica permanente e, por isso, é necessário que o banhista escolha um local com supervisão, respeitando a sinalização e as orientações.
Crianças perdidas
Cerca de 2.093 crianças perdidas foram localizadas pelos guarda-vidas do Corpo de Bombeiros e devolvidas aos responsáveis durante a alta temporada. Em relação aos verões anteriores, o número representa uma queda de 50,4%, quando foram 4.221 crianças localizadas.
A redução se deve às ações preventivas nas praias com conscientização das famílias, segundo os bombeiros, com orientações diretas dos guarda-vidas.
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— As crianças exigem cuidado redobrado e atenção constante. Até correntes pequenas, que parecem inofensivas para um adulto, conseguem arrastá-las rapidamente. É fundamental que a criança esteja sempre no raso e, no máximo, a um braço de distância do adulto responsável — afirma o Corpo de Bombeiros.
Nas praias, são distribuídas pulseiras de identificação nos postos de guarda-vidas, possibilitando a comunicação caso a criança se perca.
Estrutura operacional e pós-temporada
Ao todo, foram mais de 2 mil guarda-vidas mobilizados em 429 postos ativados em 33 municípios catarinenses. Dois helicópteros, três aviões, e 52 motos aquáticas também ajudaram nas ações, assim como 158 embarcações, 134 viaturas e 35 quadriciclos.
Agora, o Corpo de Bombeiros inicia a pós-temporada de verão até o dia 5 de abril, com redução gradual dos postos, conforme a demanda e reforço nos finais de semana.
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— A alta temporada se encerra, mas o risco não termina. Iniciamos agora uma fase de gestão estratégica, com redução planejada de postos e manutenção do efetivo. Por isso, é fundamental que o banhista consulte previamente o aplicativo CBMSC Cidadão para verificar quais praias estão guarnecidas. A escolha do local faz diferença direta na segurança. Priorizar áreas com guarda-vidas é uma decisão que protege vidas — disse o Subcomandante-Geral, Coronel Jefferson de Souza.






