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Pandemia

China faz lockdown para reduzir média de 30 mortes por Covid diárias

Governo asiático tenta limitar ao máximo a circulação das pessoas para atingir seu objetivo de "Covid zero"

10/05/2022 - 08h04

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Folhapress
Por Folhapress
Covid na China
Cidades impuseram lockdown e rastreamento de contatos para tentar reduzir novos casos e mortes
(Foto: )

A China voltou a restringir e confinar milhões de pessoas em seu território para tentar conter os novos surtos de Covid no país. Com uma média móvel de casos de aproximadamente 22 mil, o governo asiático tenta limitar ao máximo a circulação das pessoas, a fim de atingir o seu objetivo de "Covid zero".

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Com isso, megalópoles como a capital, Pequim, com 21,5 milhões de pessoas, e Xangai, a maior cidade do país, com 25 milhões, impuseram lockdown e rastreamento de contatos para tentar reduzir novos casos e mortes.

Os números, no entanto, podem não ser muito elevados, comparados com a realidade do país: são, em média, 50 novos casos por dia em ambas as cidades. A média móvel de mortes nos últimos sete dias registrada foi de 38.

Porém, a política de controle rígido e testagem em massa acendem um alerta mesmo quando esses números, em uma imensidão de dezenas de milhões de moradores, não parecem tão preocupantes.

Por outro lado, o Brasil possui uma média móvel de casos de 14 mil nos últimos sete dias, e em torno de cem mortes (93 na última quinta, dia 5). Por aqui, as medidas de proteção da pandemia foram quase todas flexibilizadas, à exceção da exigência do passaporte de vacinação para frequentar alguns espaços.

Segundo especialistas, porém, os dois países não podem ser comparados diretamente. Primeiro, pelas divergências políticas - a China é uma ditadura comunista, o Brasil um país democrático presidencialista-, segundo, pelas diferenças culturais entre as duas sociedades.

Terceiro, e mais importante, é a forma de condução durante a pandemia. Desde o início, o governo chinês restringiu a circulação de pessoas e controlou quem entrava e saía do país. Além disso, pessoas com o vírus são monitoradas diariamente, assim como os seus contatos.

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Isso fez com que a China reduzisse em poucos meses o número de casos, ganhando tempo até que a primeira vacina contra o vírus estivesse pronta para ser usada na população.

Já no Brasil, as diferentes estratégias adotadas nos estados e municípios culminaram em várias ondas da pandemia, aceleradas em parte pela introdução de novas variantes.

— Desde o início não houve dúvida que a China adotou uma política de eliminar a transmissão, enquanto o Brasil não fez nenhuma medida de controle para isso — afirma o médico sanitarista e ex-diretor da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) Cláudio Maierovitch.

O mesmo problema é apontado pela epidemiologista e vice-presidente do Instituto Sabin, Denise Garrett. — Houve uma diferença muito grande na maneira que os países abordaram a pandemia. E, por mais que não seja comparável a China com o Brasil, podemos comparar o Brasil com outros países que foram bem, como a Nova Zelândia, e tiveram um controle quase total dos casos, e outros que foram mal, como os Estados Unidos — disse. 

Um ponto crítico aqui, diz ela, é que por muito tempo se buscou, de forma até defendida pelo próprio governo, a chamada imunidade de rebanho. 

— E qual a consequência disso? Tivemos, em um dado momento, mais de mil, 2.000 mortes por dia e agora, com uma média diária de cem, é um patamar que, digamos, torna-se tolerável, embora eu não ache que seja — afirma.

Porém, Garrett reforça que as políticas de lockdown da China neste momento põem também em risco a vida das pessoas, que, confinadas, não conseguem trabalhar. "É preciso um meio-termo. O lockdown no início da pandemia foi necessário para achatar a curva, ganhar tempo no combate ao vírus. Se houvesse mais empenho dos países, teríamos com certeza reduzido a transmissão do vírus. Mas é uma medida temporária também", diz.

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Cobertura vacinal 

Outro aspecto considerado é a cobertura vacinal - e, nesse sentido, o Brasil se saiu melhor. Enquanto no país mais de 90% dos idosos possuem esquema primário vacinal completo (duas doses) e, muitos, já receberam as doses de reforço, na China há locais em que menos de 40% dos idosos receberam as duas doses, e a política de reforço lá sofre.

Garrett reforça que, nos casos em que a vacina não impede a infecção - e, assim, em pessoas com comorbidades, imunossuprimidas ou maior risco, podem evoluir para casos graves e mortes - é essencial manter o uso de máscaras. 

— Na China eles tiveram muitas falhas em manter altas taxas de vacinação, com dificuldade de manter uma boa cobertura para alguns grupos e isso é um problema por lá, embora eles tenham medidas de controle de circulação do vírus mais eficazes do que nós — pondera Maierovitch.

Outro problema foi o uso na China, em sua maioria, de vacinas de vírus inativado, que possuem uma proteção menor especialmente nos mais idosos, pondo essa população em risco, lembra a epidemiologista.

Para Maierovitch, falta no Brasil, uma campanha mais a favor da vacinação. — Em todas as epidemias que tivemos a comunicação do governo era muito clara a favor de vacinação, na epidemia de sarampo, na de meningite, ainda nos anos 1970, e nesse aspecto tínhamos diretrizes muito claras. É claro que [para o governo] podemos conviver com cem mortes por dia de Covid, mas é um número ainda muito ruim; em uma semana morre por Covid o mesmo por dengue em um ano. Precisamos melhorar os indicadores — diz.

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