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JBS investe R$ 308 milhões em centro de proteína cultivada em Florianópolis

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Por Estela Benetti
09/05/2022 - 17h04 - Atualizada em: 09/05/2022 - 20h04
Polo tecnológico Sapiens sedia centro de pesquisa de proteína cultivada da JBS
Polo tecnológico Sapiens sedia centro de pesquisa de proteína cultivada da JBS (Foto: Divulgação)

A JBS vai sediar no Sapiens Parque, em Florianópolis, estado de Santa Catarina, o seu centro global de pesquisa em proteína cultivada. A companhia, que é líder mundial em alimentos baseados em proteínas, anunciou nesta segunda-feira investimento de US$ 60 milhões, o equivalente a R$ 308 milhões, no JBS Biotech Innovation Center.

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O projeto visa o desenvolvimento de tecnologia própria 100% nacional nessa área inovadora, para chegar à produção eficiente, escalável e competitiva financeiramente. Este será o segundo grande passo do grupo brasileiro nesse ramo inovador. Em novembro de 2021, investiu US$ 100 milhões na aquisição da empresa espanhola BioTech Foods, uma das líderes mundiais no desenvolvimento de proteína cultivada, e em centro de pesquisa e desenvolvimento (P&D). Desse montante, US$ 41 milhões foram para a BioTech. Essa operação segue na Espanha onde recebe apoio financeiro do setor público. A previsão é de que ela poderá lançar produtos para consumidores em 2024.

Em Florianópolis, a primeira fase do projeto será a construção de prédio de 10 mil metros quadrados para a instalação da planta industrial piloto e aquisição de insumos necessários. O investimento de US$ 60 milhões será executado em quatro anos. A área que a empresa vai ocupar no parque tecnológico será de 40 mil metros quadrados em quatro lotes, onde fará prédios para o centro de pesquisa e um lago artificial.

- Esse é, de longe, o maior investimento de uma empresa brasileira no setor de proteína cultivada e reforça nossa estratégia de inovação para atender à crescente demanda por alimentos, resultado do crescimento da população global. O JBS Biotech Innovation Center coloca a JBS numa posição única para liderar este segmento – afirma Gilberto Tomazoni, CEO Global da JBS.

O presidente do JBS Biotech Innovation Center Luismar Marques Porto e a vice-presidente Fernanda Vieira Berti
O presidente do JBS Biotech Innovation Center, Luismar Marques Porto, e a vice-presidente, Fernanda Vieira Berti
(Foto: )

Uma das razões da vinda desse centro para Florianópolis é o capital humano da cidade e de Santa Catarina. Segundo a companhia, o novo centro vai gerar mais de 100 empregos diretos. Inicialmente serão 25 vagas de alta qualificação profissional, para especialistas doutores específicos para o projeto de pesquisas em proteína cultivada. O doutor Luismar Marques Porto será o presidente do JBS Biotech Innovation Center e a doutora Fernanda Vieira Berti será a vice-presidente do centro de pesquisa.

A companhia destaca que são dois dos maiores especialistas em bioengenharia do Brasil, com ampla experiência internacional, em instituições nos Estados Unidos. Porto foi cientista visitante da Harvard University e do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Fernanda Berti criou uma startup no Vale do Silício que desenvolve produtos de medicina regenerativa para animais e também trabalhou no Research Institute I3Bs.

Com pesquisas mais avançadas, a espanhola BioTech Foods, por meio da planta piloto na cidade de San Sebastián, é que vai produzir proteína antes para o mercado. Apesar da aquisição no ano passado, só na última semana o governo espanhol autorizou o negócio. A JBS ficou com 51% do capital da empresa e terá a base para avançar no desenvolvimento dessa linha de produtos. 

A confirmação do JBS Biotech Innovation Center para Florianópolis e Santa Catarina é recebida com expectativas positivas pelos setores empresariais, públicos e acadêmicos do Estado. É uma relevante âncora para o Sapiens Parque e confirma a região como um dos principais polos de pesquisa e tecnologia da América Latina, onde já existe uma economia avançada em tecnologia da informação e comunicação. Também projeta ainda mais o Estado como produtor de alimentos. Santa Catarina, com proteína de aves e suínos, foi a base da agroindústria exportadora do Brasil para o mundo.

A expectativa também é de que esse projeto reforce a imagem de Florianópolis como uma das cidades mais atraentes para profissionais do mundo da tecnologia residir em função da qualidade de vida que oferece. Poder trabalhar numa ilha com 42 praias e amplas reservas ecológicas motiva muitas pessoas a mudarem para a cidade.

Estela Benetti

Colunista

Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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