Milton “Chumbinho” Becker, um dos principais nomes do motocross nacional que morreu em um acidente no último sábado (31), morou em Joinville, no Norte de Santa Catarina, por quase metade da sua vida. O piloto, inclusive, fundou uma pista que foi palco de diversas competições na cidade.
Continua depois da publicidade
O atleta saiu da pequena cidade de Itapiranga, no Oeste do Estado, em 1993 para morar em Joinville na tentativa de alavancar a carreira e buscar por mais patrocínios. Ao NSC Total, Elton Becker, irmão de Chumbinho, contou que, até 2019, a maior cidade de SC se tornou o lar da lenda do motocross.
Veja fotos de Chumbinho
Pista de motocross
No Norte catarinense, Chumbinho colecionou títulos e trilhou uma trajetória de sucesso no esporte. Um dos principais laços criados entre Joinville e o piloto foi a existência de uma pista de motocross em um centro de treinamento às margens da SC-108, conhecida como Rodovia do Arroz.
Fundado em janeiro de 2016, o Centro de Treinamento (CT) levou o nome do piloto que se consagrou como um dos principais do país ao disputar provas nacionais. O atleta acumulou mais de 70 títulos durante a carreira: 27 vezes Campeão Brasileiro de Motocross e Supercross, nove vezes campeão catarinense, duas vezes campeão paranaense e duas vezes campeão mato-grossense. Ele anunciou a aposentadoria como piloto profissional no final de 2018.
A pista em Joinville foi palco de manobras para diversos campeonatos ao longo dos anos. Em junho de 2019, por exemplo, a pista recebeu uma das etapas do Campeonato Pro Tork Catarinense de Motocross.
Continua depois da publicidade
Em dezembro de 2022 o terreno, que era alugado, foi vendido para receber uma nova central de distribuição de energia elétrica na cidade, conforme o irmão de Chumbinho.
Relação com o irmão
Foi em Joinville que Elton, também piloto, venceu o irmão pela primeira vez, em 1999.
— A gente teve uma história muito bonita. Eu comecei a correr por causa dele e eu falo pra todo mundo: quando eu saí de casa, com 15 anos, fui embora com ele. Então ele, além deste meu professor, ele foi meu pai também, porque nas horas difíceis ele me ajudava — relembra emocionado.
Nas redes sociais, Elton publicou uma homenagem ao irmão que foi seu companheiro por tantos anos. “Perdi meu irmão, meu amigo, meu ídolo, minha referência. Parte de quem eu sou foi construída ao teu lado, aprendi tanto contigo dentro e fora das pistas. A gente disputava, mas também se ajudava, coisas de irmãos, “dos irmãos Becker”, Que dor eu sinto meu Deus!!! Te amarei pra sempre Chumbo, já sinto tanta saudade de ti. Vai em paz meu querido, obrigado por tudo”, escreveu.
Continua depois da publicidade
Intensidade nas pistas
Quem teve a oportunidade de correr com Chumbinho relembra o talento inconfundível do catarinense. Leandro Smakovicz, relembra que treinou diversas vezes com o piloto na pista do Ipê, no bairro Costa e Silva, entre 1994 e 2009.
— Ele era um cara muito persistente e dedicado, dentro das pistas ele sempre foi um grande adversário, correr com ele foi um grande aprendizado — conta.
Com o espírito aventureiro, Chumbinho quase viu o fim da sua carreira em 2010, quando sofreu um grave acidente na cidade de Penha, no Litoral catarinense. Na queda sofrida durante um treino, Chumbinho fraturou quatro costelas, precisou fazer uma cirurgia para retirar o baço e perdeu a chance de se consagrar campeão da Superliga MX4 ainda em 2010.
Após a recuperação, o atleta voltou a correr e voltou a colecionar vitórias que levavam os fãs do motocross ao delírio.
Continua depois da publicidade
Morte de Chumbinho
Milton “Chumbinho” Becker foi identificado como a vítima do acidente de trânsito registrado na SC-305, em Campo Erê, no Oeste de Santa Catarina, na tarde do último sábado (31). O atleta, de 56 anos, conquistou dezenas de títulos nacionais, estaduais, regionais e internacionais durante a carreira.
Segundo o Corpo de Bombeiros, o acidente foi registrado por volta das 16h30min, quando o motociclista perdeu o controle da Yamaha MT‑09 Tracker, saiu da pista e caiu em uma ribanceira ao lado de uma ponte. A motocicleta possuía placa de Iporã do Oeste.
Ao chegar no local, os bombeiros encontraram Milton já sem vida. Segundo a Polícia Militar Rodoviária (PMRv), a suspeita é de que o acidente aconteceu por excesso de velocidade do condutor combinado com as más condições da via. A velocidade máxima permitida no local é de 40 km/h.
Autoridades lamentaram morte do atleta
Em nota, Federação Catarinense de Motociclismo lamentou a tragédia e se referiu ao piloto como “referência histórica” do esporte no Brasil. Abaixo, confira na íntegra o texto publicado nas redes sociais.
Continua depois da publicidade
A prefeitura de Itapiranga, de onde Chumbinho era natural, manifestou pesar pela morte do atleta, afirmando que Milton deixa “uma trajetória marcada pela superação, talento e paixão pelo esporte sobre duas rodas.”
“Itapiranguense de origem, nascido em Ervalzinho, localidade que à época pertencia a Itapiranga, Chumbinho dedicou mais de 35 anos ao motocross, construindo um legado extraordinário no cenário nacional e internacional. Foi 27 vezes campeão brasileiro de motocross, tornando-se uma lenda do esporte e referência para gerações de atletas. Seu nome permanecerá eternamente ligado à história do motocross brasileiro e ao orgulho do povo itapiranguense”, escreveu.
A Confederação Brasileira de Motociclismo (CBM) também se manifestou. Em nota a CBM lamentou a morte de Chumbinho e disse que a partida do piloto deixa “um vazio imenso nas pistas”. “Será lembrado para sempre como um competidor incansável e um embaixador do motociclismo, cujo legado continuará a inspirar todos que buscam a excelência no esporte”.
Veja na íntegra a nota da Federação Catarinense de Motociclismo
A Federação Catarinense de Motociclismo – FCM manifesta profundo pesar pelo falecimento de Milton “Chumbinho” Becker, aos 56 anos.
Continua depois da publicidade
Referência histórica do motociclismo brasileiro, Chumbinho construiu uma trajetória marcada por conquistas, dedicação e amor ao esporte, deixando um legado eterno para o motocross e para todos que viveram essa paixão ao seu lado.
Neste momento de dor, nos solidarizamos com familiares, amigos e toda a comunidade do motociclismo.
Que sua história siga inspirando gerações. Descanse em paz!
*Sob supervisão de Leandro Ferreira












