Há alguns anos, uma doença destruiu grande parte dos pomares de maracujá de Santa Catarina. Trata-se da produção de Araquari, que viu o fruto desaparecer de repente. Isso porque durante pouco mais de 10 anos, uma doença atingiu os pomares da cidade. Entretanto, a cooperação entre os produtores e a Epagri mudou essa realidade.
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Conforme a Epagri, entre 2008 e 2019, a virose do endurecimento do fruto dizimou pomares e derrubou a produção local do maracujá em Araquari. Esta era uma doença inédita até então nas produções de SC.
— Quando nos chamaram, o problema já tinha se alastrado pela região — lembra Luiz Augusto Martins Peruch, pesquisador da Epagri. Segundo ele, naquela época ainda não se tinham todas as bases científicas necessárias para o convívio com a doença. A entrada do vírus causou o declínio da cultura naquela região, que hoje está recuperando gradativamente sua área plantada.
Problema nas plantações de maracujá em toda Santa Catarina
Em 2016, o vírus ainda foi detectado nos pomares do Sul de Santa Catarina, a principal região produtora do Estado. Uma ação rápida e conjunta liderada pela Epagri ajudou a vencer esse ser minúsculo que poderia ter dizimado a produção da região, como já aconteceu no Norte Catarinense, onde a área plantada reduziu drasticamente devido a uma série de percalços, entre eles o ataque de doenças.
Soluções
Uma das mais importantes e polêmicas recomendações é a prática do vazio sanitário. O maracujazeiro é plantado em Santa Catarina em agosto e a colheita segue até junho do ano seguinte. Para evitar contaminação com a virose do endurecimento do fruto, o ideal seria que a área dos pomares permanecesse sem nenhum cultivo por pelo menos 60 dias, eliminando completamente o vírus da região.
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A partir disso, os produtores adotaram algumas regras de manejo como:
- mudas sadias, produzidas em abrigos telados;
- replantio anual dos pomares
- respeito ao vazio sanitário.
A doença que quase dizimou o maracujá
Conforme a Epagri, a virose do endurecimento do fruto é uma doença disseminada pelo pulgão, um inseto comum nas lavouras do Brasil. Ele não chega a ser um problema para o maracujá, mas passa a apresentar riscos quando pousa em uma planta infectada com a virose.
Nos seus voos entre uma planta e outra, ele dissemina rapidamente o vírus que, como o próprio nome diz, faz com que o pomar produza frutas mais duras, com menos polpa. Também provoca uma importante queda de produtividade.
Os técnicos da Epagri sabiam que o pulgão não era o principal vilão nesse intrincado enredo, não era ele que deveria ser combatido. Henrique Belmonte Petry, pesquisador da Estação Experimental da Epagri em Urussanga, explica que combater o pulgão não resolve o problema, porque ele não gosta do sabor da planta do maracujá. Ele voa até o maracujazeiro, faz a picada de prova, e segue para outro vegetal que lhe seja mais agradável ao paladar. Se estiver carregando o vírus, já infectou a planta.
Se o agricultor aplicar um inseticida no maracujazeiro, não vai matar o pulgão, porque o inseto não está mais ali. Já o vírus que ficou na planta não pode ser combatido com nenhum tipo de químico.
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As técnicas de manejo foram capazes de permitir o convívio com a doença nas plantações. Primeiro era necessário convencer os produtores da importância de eliminar os pomares de uma safra para outra. A prática mais comum no Sul do Estado era manter as plantas produzindo por dois anos, porém, com a renovação anual dos pomares, se retiram do campo todos os maracujazeiros que possam estar infectados com a doença. Eles são substituídos por mudas isentas do vírus.
As mudas são peças importantes nessa batalha, já que a virose chegou a Santa Catarina pela importação de mudas infectadas produzidas em outros estados. A tecnologia de combate à doença preconiza que as novas plantas devem ser produzidas em ambientes protegidos com plástico por cima e tela antiafídeo nas laterais, para evitar a entrada dos pulgões.
É importante também que esse viveiro conte com uma antessala em que o produtor possa colocar as vestimentas adequadas para não levar o vírus para dentro daquele ambiente reservado. E, de preferência, que seja longe do pomar.
Atualmente em Araquari, ainda conforme a Epagri, há produtores que já conseguiram aumentar em 50% a produtividade. Este é o caso do produtor de Araquari Julio Fialkoski, que colhe 60 toneladas do fruto em apenas três hectares.
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