Um novo estudo científico do Laboratório de Física aplicada da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, sugere que, para o nosso sistema ter a cara que tem hoje — e para que Urano e Júpiter mantivessem suas luas originais —, um quinto planeta gigante de gelo pode ter existido e acabou sendo arremessado para fora do nosso sistema.

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A conclusão da pesquisa liderado por Matthew Clement, é fruto de milhares de horas de simulações em supercomputadores feitas por astrofísicos. O artigo, que foi publicado na plataforma de preprints arXiv e ainda aguarda a revisão por outros cientistas, buscou decifrar um período de extrema instabilidade na infância do Sistema Solar, ocorrido há bilhões de anos.

O enigma das luas de Urano

Historicamente, a astronomia operava sob a premissa de que os planetas sempre estiveram nos mesmos lugares. Contudo, em 2005, pesquisadores desenvolveram o chamado “Modelo de Nice”, batizado em homenagem à cidade francesa onde foi criado. Essa teoria revolucionária propôs que os gigantes gasosos — Júpiter, Saturno, Netuno e Urano — nasceram muito mais próximos do Sol e foram empurrados para suas posições atuais devido a interações gravitacionais causadas por Júpiter e Saturno.

Embora o Modelo de Nice explique com precisão a órbita atual dos planetas e a localização de cinturões de asteroides, ele esbarrava em um problema: as luas. Nas simulações convencionais, os deslocamentos planetários são tão violentos que a gravidade dos planetas deveria ter destruído ou ejetado a maioria das luas de Urano e Júpiter. Na realidade, porém, esses satélites naturais continuam lá. É aí que entra a hipótese de um planeta “sacrificado”.

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O planeta que pagou o preço

Ao testar 122 cenários diferentes de evolução cósmica, a equipe de pesquisadores descobriu que a chance de as luas de Júpiter e Urano sobreviverem juntas à migração planetária é menor que 15%.

No entanto, as chances de sobrevivência das luas aumentavam drasticamente quando os cientistas introduziam um quinto planeta gigante, vizinho de Urano e Netuno, na simulação.

De acordo com o modelo, esse corpo celeste extra teria absorvido o impacto gravitacional dos choques com os outros gigantes. Ao fazer esse trabalho, ele estabilizou o sistema, poupou as luas de Urano, mas acabou pagando o preço e foi ejetado para a escuridão do espaço interestelar, virando um planeta órfão.

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Os pesquisadores reforçam que os resultados atuais não fecham a questão, mas abrem caminhos para refinar o Modelo de Nice.

Com informações de IFLScience