A ciência encontrou recentemente mais um indício de que Europa, uma das luas de Júpiter, maior planeta do Sistema Solar, pode ser um mundo habitável. Um elemento essencial para a vida foi detectado em novos estudos realizados em um dos satélites naturais do Gigante Gasoso.

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Imagens feitas pelo telescópio James Webb em 2023 já haviam confirmado a presença de carbono na superfície da Lua Europa, mais especificamente em uma região chamada de Tara Regio. Um detalhe nessa descoberta é que o carbono não veio de um corpo celeste externo, como um meteorito, mas sim de um dos oceanos internos de Europa.

O fato que coloca essa descoberta como um forte indício de que essa Lua pode ser um mundo habitável é que o carbono é um dos pilares para a formação de seres vivos, ao menos nas formas que conhecemos na Terra. Saber que esse elemento é encontrado em abundância no oceano líquido interno de Europa faz dessa Lua de Júpiter o lugar mais promissor para abrigar vida no Sistema Solar, além do nosso planeta.

A nova descoberta

Um estudo recente, porém, trouxe outro forte indício de que a Lua Europa pode ser um mundo capaz de abrigar vida – ao menos em formas menos complexas em oceanos. Foi detectado a presença de amônia, que é uma fonte de hidrogênio, outro elemento essencial, especialmente para proteínas e DNA.

Além da amônia, os pesquisadores notaram a presença de sais minerais como o cloreto de sódio. A presença de todos esses elementos sugere que o oceano da Lua Europa tenha uma composição química muito semelhante aos da Terra.

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A amônia também é um anticongelante natural. Ou seja, além de ser um elemento essencial para o surgimento de seres vivos, essa substância ajuda a manter os oceanos em condições ideais para abrigar algumas formas de vida. Isso ajuda a explicar como essa lua de Júpiter mantém uma grande quantidade de água líquida mesmo em uma região extremamente fria do Sistema Solar – temperaturas médias de 160ºC negativos.

A missão para a Lua de Júpiter

Tantos indícios de ser um mundo habitável faz de Europa, uma das luas de Júpiter, um dos maiores foco dos cientistas. A NASA, agência espacial americana, já iniciou uma missão para estudá-la: a Europa Clipper tem como principal objetivo averiguar profundamente essas possibilidades.

A sonda Clipper foi lançada em 2024, a bordo do Falcon Heavy, foguete da SpaceX, empresa do bilionário americano Elon Musk. A chegada na Lua Europa está prevista para 2030.

A Europa Clipper vai investigar se essa lua de Júpiter conta com locais abaixo da superfície que possam sustentar formas de vida. Ela vai medir a espessura da camada de gelo, analisar a salinidade e profundidade do oceano e estudar a geologia (como as fendas por onde o carbono e amônia podem estar escapando).

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Estão previstos 49 sobrevoos próximos da órbita da Lua Europa, chegando a uma distância mínima de 25 quilômetros da superfície congelada. Antes da missão Clipper, a sonda Juno, que já está em Júpiter desde 2016, abriu caminhos para a exploração e também fez voos perto do potencial mundo habitável.

Aliás, a sonda Juno deverá ser usada em breve para analisar um outro corpo celeste que intrigou os cientistas: o cometa 3I/Atlas, objeto interestelar descoberto no ano passado e que está passeando pelo nosso Sistema Solar.

A sonda vai aproveitar a aproximação do cometa com Júpiter, prevista para março de 2026, e vai analisar a composição, comportamento e estrutura desse visitante raro antes que ele saia do Sistema Solar, ajudando a confirmar hipóteses sobre as origens do cometa.

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A busca por mundos habitáveis

Encontrar planetas ou outros astros capazes de abrigar vida é uma das grandes obsessões da ciência nas últimas décadas. Apesar de ainda não termos indícios definitivos, algumas descobertas recentes aumentaram o entusiasmo dos pesquisadores.

Além das descobertas feitas na Lua Europa, novos estudos também sugerem que Marte, nosso vizinho conhecido como Planeta Vermelho, pode ter abrigado algumas formas de vida no passado. A hipótese ganhou força após amostras coletadas pelo robô Curiosity, da NASA, encontrar moléculas orgânicas em grande quantidade em uma cratera na superfície.

Planetas fora do Sistema Solar, que orbitam nas chamadas zonas Habitáveis, também foram encontrados e apresentam características semelhantes as da Terra. Recentemente, um novo exoplaneta foi detectado e pode ser mais um a integrar a lista de mundos potencialmente habitáveis.