A busca por vida fora da Terra ganhou mais um episódio. Um estudo divulgado pela NASA no início de fevereiro torna ainda mais forte a possibilidade de que Marte tenha abrigado seres vivos em um passado não muito distante em termos astronômicos.
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As características da superfície de Marte e o fato de que o chamado Planeta Vermelha teve água – e de que já contou com oceanos, rios e um complexo sistema hídrico – já é um forte sinal de que algumas formas de vida simples habitaram o planeta. Mas o que mais chamava a atenção dos cientistas era a presença de matérias orgânicas e de sedimentos nas margens do que um dia foram rios.
Algumas moléculas orgânicas foram encontradas em grandes quantidades na superfície de Marte. Essas moléculas costumam surgir de duas formas: por atividade biológica de seres vivos ou então por processos geológicos comuns. E foi esse o foco do estudo recente divulgado pela NASA.
A chance de vida
O resultado do estudo, publicado na revista Astrobiology no dia 4 de fevereiro, aumenta o entusiasmo dos cientistas que buscam por vida fora da Terra. A pesquisa indicou que os processos geológicos e químicos “comuns” não conseguem explicar sozinhos a abundância e a complexidade das moléculas orgânicas encontradas no planeta.
O estudo analisou amostras coletadas da cratera Gale pelo Curiosity, um dos robôs da NASA na superfície de Marte. Nos materiais, foi detectado uma grande presença de alcanos de cauda longa (moléculas com 10 a 12 átomos de carbono, como decano e undecano), que podem ser fragmentos de alguns ácidos presentes em membranas celulares semelhantes a de alguns seres vivos conhecidos na Terra.
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Considerando os efeitos da radiação nos últimos 80 milhões de anos, os pesquisadores concluíram que a quantidade original de matéria orgânica nas rochas era imensamente maior do que a detectada hoje. Esses materiais podem ser de seres vivos e também de processos geológicos, inclusive trazidos por meteoritos.
Mas o volume dessas moléculas orgânicas é o grande ponto do estudo. Pesquisadores afirmam que fontes não biológicas conhecidas (como meteoritos ou poeira espacial) não teriam deixado tanto resíduo orgânico. Isso torna a hipótese biológica a explicação mais forte disponível atualmente, reforçando a possibilidade de Marte ter abrigado algumas formas de vida há milhões de anos.
Os indícios de vida em Marte
O estudo feito com as amostras colhidas pelo Curiosity na cratera Gale complementam outras pesquisas feitas recentemente e que também reforçam a possibilidade de vida em Marte no passado. No final de 2025, o Perseverance, outro Rover da NASA, encontrou reações químicas que, na Terra, só são causados por micróbios que vivem em sedimentos. A descoberta na chamada “Rocha de Leopardo” foi definida pela NASA como a assinatura mais próxima de vida já vista.
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Nos últimos dias, o Curiosity utilizou uma última dose de um reagente químico especial (TMAH) para uma análise de “química úmida”. Esse processo permite detectar moléculas orgânicas que seriam destruídas pelo método tradicional de aquecimento do robô. Os cientistas acreditam que os resultados desse experimento final podem selar o entendimento sobre se essas moléculas são precursoras da vida ou restos dela.









