Uma possível nova “arma” contra o câncer pode ter surgido de um aliado improvável: bactérias que vivem dentro dos próprios tumores. Cientistas criaram um peptídeo experimental capaz de destruí-las por dentro, ao fazê-las “morrer de fome”.
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A descoberta foi feita em testes pré-clínicos com câncer de próstata resistente à terapia hormonal. Quando combinado à radioterapia, o composto reduziu de forma expressiva o crescimento tumoral em modelos animais.
Tipos de câncer mais letais
O que os cientistas encontraram
Pesquisadores da Universidade de Illinois Chicago desenvolveram um peptídeo chamado aurB, inspirado em uma proteína bacteriana. A molécula foi desenhada a partir da auracianina, uma proteína presente em bactérias identificadas em tumores.
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Segundo o estudo, publicado na revista científica Signal Transduction and Targeted Therapy, o aurB consegue entrar nas mitocôndrias das células tumorais e interferir na produção de ATP.

As células cancerígenas costumam crescer rápido. Para isso, elas ajustam sua forma de produzir energia e podem depender fortemente das mitocôndrias, estruturas conhecidas por abastecer as células.
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“As mitocôndrias são muito importantes para uma célula sobreviver; elas são as fábricas de energia”, disse Tohru Yamada, autor sênior da pesquisa, em comunicado da Universidade de Illinois Chicago.
Em vez de atacar apenas uma mutação específica, a estratégia mira um processo básico para a sobrevivência da célula tumoral.
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Peptídeo aurB
Nos testes, o aurB se ligou à ATP sintase, uma proteína essencial para a produção de energia nas mitocôndrias. Com isso, o composto reduziu a capacidade das células tumorais de manter seu ritmo de crescimento.

Quando o aurB foi usado com radioterapia, o resultado ficou mais forte. No modelo de metástase óssea na tíbia, a combinação reduziu o crescimento tumoral em 99% na quinta semana, em comparação ao grupo controle.
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Horizonte futuro
Apesar do resultado animador, o aurB ainda está em fase pré-clínica. A estratégia foi testada em laboratório e em modelos animais, mas ainda carece de testes clínicos em seres humanos para a utilização em massa.
A equipe patenteou o aurB e busca caminhos para levar a técnica adiante. Se avançar, a descoberta pode transformar bactérias presentes em tumores em mapa para novos medicamentos.
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