O sonho de dirigir pode estar mais próximo para os adolescentes brasileiros com o avanço do Projeto de Lei 1083/2025 na Câmara dos Deputados. A proposta, de autoria do deputado federal Glaustin da Fokus (PODE/GO), sugere uma mudança histórica no Código de Trânsito Brasileiro ao permitir que jovens iniciem o processo de formação de condutores aos 16 anos. Embora a regra atual exija a maioridade para dar o primeiro passo no Detran, o novo texto propõe um modelo de estágio supervisionado, permitindo que o candidato chegue aos 18 anos com uma experiência prática acumulada sob o olhar dos pais ou responsáveis.

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As principais mudanças

A grande diferença em relação ao sistema atual é a antecipação das etapas burocráticas e teóricas. Atualmente, o cidadão precisa aguardar o aniversário de 18 anos para realizar desde o exame psicotécnico até as aulas de legislação. Caso o projeto seja aprovado, o jovem de 16 anos já poderá ser aprovado nos exames médicos e concluir a carga horária teórica.

O ponto mais inovador da proposta é a chamada “instrução doméstica”, que autoriza o aprendizado prático no veículo da família. Nesse cenário, o adolescente ganha o direito de treinar as primeiras manobras acompanhado por um tutor habilitado antes mesmo de ingressar em uma autoescola.

Regras de segurança e limitações do aprendizado

Para que a circulação desses jovens não comprometa a segurança viária, o texto estabelece restrições rigorosas durante o período de aprendizado. Os condutores de 16 e 17 anos ficariam proibidos de dirigir no período noturno e não poderiam circular em vias de trânsito rápido.

Além disso, a responsabilidade jurídica por qualquer infração cometida ou danos causados a terceiros recairia integralmente sobre o acompanhante legal. Vale destacar que o direito de dirigir de forma independente continua restrito aos maiores de 18 anos, já que o exame prático final do Detran permanece condicionado à maioridade penal e civil.

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O embate entre prática antecipada e maturidade jovem

A tramitação da proposta levanta um debate intenso entre especialistas e parlamentares. Os defensores do projeto argumentam que o contato prolongado com o veículo, sob supervisão familiar, entregaria motoristas muito mais resilientes e experientes ao sistema de trânsito.

Por outro lado, especialistas em segurança alertam que a biologia do adolescente, ainda em fase de desenvolvimento no controle de impulsos, pode ser um fator de risco. Existe ainda uma barreira jurídica relevante, pois a inimputabilidade penal de menores de 18 anos pode dificultar a responsabilização em casos de acidentes graves com vítimas.

Etapas para a aprovação e validade da proposta

Apesar da repercussão, as regras para tirar a CNH no Brasil não mudaram. O projeto cumpre rito nas comissões técnicas da Câmara dos Deputados e ainda deve passar por audiências públicas antes de seguir para o Plenário e, posteriormente, para o Senado Federal. Somente após a sanção da presidência da República é que as novas normas passariam a valer. Até lá, o início de qualquer processo de habilitação permanece autorizado apenas para quem já completou 18 anos.

FOTOS: como funciona a renovação automática da CNH

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*Com edição de Luiz Daudt Junior.