As empresas de Joinville, cidade do Norte de Santa Catarina, estão se movimentando cada vez mais para enfrentar o apagão de mão de obra e captar talentos, seja com feirões de empregos e, até mesmo, aumento de salários e benefícios. A Britânia, gigante dos eletrodomésticos, anunciou uma reestruturação salarial para diversos cargos recentemente, enquanto a Tupy foi até o Pará tentar localizar novos funcionários para atuar na produção da fábrica do município.
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Empregos em SC
Santa Catarina encerrou março de 2026 com saldo positivo de 16.868 empregos formais, com 169.603 admissões contra 152.735 demissões, reforçando um cenário de crescimento do mercado de trabalho no Estado nos últimos 12 meses. Comparado com o mesmo período de 2025, houve um aumento de 59,7% na contratação de profissionais.
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O desempenho catarinense tem sido puxado principalmente pelo setor de serviços, responsável pela abertura de 7.434 postos de trabalho no mês março deste ano — último período divulgado analisado pelo Observatório Fiesc. Na sequência aparecem a indústria, com 8.294 vagas, o comércio, com 1.945, enquanto a agropecuária registrou saldo negativo de 805 postos.
Já em Joinville, a maior cidade de Santa Catarina, fechou março com saldo positivo de 2.495 empregos formais, com 16.974 contratações contra 14.479 desligamentos. Comparado ao mesmo período do último ano, o crescimento foi de cerca de 125,6% — naquele mês, foram 15.979 admitidos e 14.873 demissões.
A cidade registrou o maior saldo do mês, seguido de Florianópolis, com 1,250, e Itajaí, com 1.122. Já Fraiburgo foi o município que teve o pior desempenho no mês, com saldo negativo de 637.
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Conforme o economista chefe da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), Pablo Bittencourt, a baixa taxa de desemprego, tanto no Estado quanto no país, leva a uma grande dificuldade para encontrar mão de obra.
Como empresas têm buscado talentos
Nas últimas semanas, diversas empresas anunciaram a realização de feirões de emprego para completar o quadro de funcionários, como a Tuper, Döhler, Britânia, Tupy e Nidec. Algumas companhias foram além e reestruturaram salários e benefícios para conquistar mão de obra qualificada.
A unidade Tuper da ArcelorMittal, em São Bento do Sul, realizou uma atualização salarial para algumas funções, com valor diferenciado no mercado. A partir do anúncio, o salário inicial para cargos das áreas de produção e logística é de R$ 2.784,00.
Além da remuneração competitiva, a empresa ainda anunciou um amplo pacote de benefícios, incluindo vale-transporte gratuito, Programa de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), plano de saúde e convênio odontológico para empregados e dependentes. Na última segunda-feira (18), a companhia realizou um feirão de emprego com mais de 100 vagas abertas.
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A Britânia, uma das maiores fabricantes de eletrodomésticos do país, também anunciou uma reestruturação salarial para diversos cargos. A decisão eleva os ganhos iniciais, com salário de entrada de R$ 2.156,00, e os incentivos por produtividade dos funcionários.
De acordo com a companhia, foram aplicados reajustes significativos nos salários base. Após o período de experiência de 90 dias, somando o salário fixo aos benefícios variáveis, o colaborador pode receber até R$ 2.782,00. A empresa também abriu 150 vagas de emprego para atuar em Joinville, no último dia 15 de maio.
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A centenária indústria têxtil Döhler realizou, na quinta-feira (21), um processo seletivo para 20 vagas destinadas ao setor de manutenção. Para conquistar talentos, a empresa ofereceu oportunidades para turnos da tarde e noite, além de inúmeros benefícios, como plano de saúde e odontológico, ambulatório e refeitório dentro da empresa, brindes institucionais, ações de treinamento e desenvolvimento, entre outros.
A Nidec realizou seleção de funcionários efetivos e jovens aprendizes em março, para completar o quadro da companhia. Além da remuneração mensal competitiva, os contratados contam com plano de saúde e odontológico, assistência farmacêutica, restaurante interno e transporte especial.
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Já a Tupy, deu um passo além dos feirões realizados em Joinville. A metalúrgica foi até o Pará em busca de novos funcionários para trabalhar na sede da empresa, no Norte de Santa Catarina. Inclusive, a companhia prometeu contribuir com o deslocamento desses trabalhadores que forem contratados.
Segundo anúncio, feito em parceria com o Senai paraense, foram abertas vagas são para operador de produção em três turnos. Os salários iniciais podem chegar a até R$ 3.326 mensais. A multinacional também realizou um feirão em Joinville, sendo que os salários iniciais podem chegar a até R$ 2.910,60, com progressão salarial já prevista.
Apagão de mão de obra e vinda a SC para trabalho
Ações como a da Tupy mostram o apagão de mão de obra qualificada em Santa Catarina, com empresas tendo que ampliar o leque de ações para conquistar candidatos.
— Como esse fluxo que antes era natural, agora as empresas estão tendo que lançar estratégias para revelar em outros locais, em outros estados, o benefício de vir morar e trabalhar em Santa Catarina — afirma.
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O gerente de Recrutamento e Seleção do RH Brasil, Joanir Schadeck, explica que nos últimos anos as pessoas passaram a analisar diversos quesitos de uma vaga antes de aceitá-la, como benefícios, localização, horário de trabalho, estabilidade, qualidade de vida e possibilidade de crescimento.
— Existe um grande número de vagas abertas ao mesmo tempo, o que faz com que o candidato tenha mais opções e se torne mais seletivo. Não é apenas uma questão de falta de interesse ou qualificação. Além disso, em algumas vagas mais técnicas ou com exigências muito específicas, realmente existe uma dificuldade maior em encontrar mão de obra aderente ao perfil solicitado — afirma o gerente.
O economista chefe da Fiesc ainda analisa que as gerações mais novas dão preferências a trabalhos que ofertem benefícios mais amplos, como a possibilidade de home office.
— [Os jovens] têm dado muita preferência a trabalhos em que, por exemplo, não precisa estar os cinco dias da semana dentro da empresa. Também dá preferência por viver em cidades que tenham opções de lazer, de esportes e convívio, ao mesmo tempo que tenham segurança para isso. Então, Joinville é uma cidade competitiva. De maneira que, talvez, exista aí uma necessidade de mostrar um pouco melhor para os jovens a vantagem de se trabalhar para empresas catarinenses inseridas em cidades de médio porte, como Joinville e Jaraguá do Sul, por exemplo — diz.
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Conforme o Censo 2022, na última década 115,1 mil pessoas — nascidas fora de Joinville — passaram a residir na cidade. O economista chefe da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), Pablo Bittencourt, afirma que o fluxo migratório existe há décadas e deve ser visto como algo positivo.













