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Com número recorde de casos, como a população pode ajudar a diminuir os focos do mosquito da dengue?

Água parada é a principal vilã, pois o mosquito Aedes Aegypti prefere este ambiente

26/05/2022 - 13h56

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Estúdio
Por Estúdio NSC
Dengue
Trabalho de combate à dengue
(Foto: )

O ano de 2022 é o pior ano para uma doença que já é velha conhecida, mas que cresceu de forma explosiva em Santa Catarina e já virou pandemia: a dengue. Transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti, também conhecido como pernilongo-rajado, o inseto é o mesmo que passa a zika e chikungunya. Com a chegada do frio, a expectativa do poder público é de que os casos diminuam, pois o verão é mais favorável para a proliferação do mosquito.

Somente na capital catarinense, foram confirmados 2.072 casos de dengue em Florianópolis desde o início do ano, segundo boletim divulgado nesta segunda-feira (23). Até o momento, os bairros com mais casos de dengue são Itacorubi (368), Agronômica (151), Centro (119), Ingleses (100), Saco Grande (90), Trindade (76), Córrego Grande (61), Carvoeira (61), Canasvieiras (38) e Saco dos Limões (37).

Quatro pacientes estavam internados com a doença na data do documento, de um total de 67 desde o início do ano. Desde 12 de abril, a capital declarou situação de emergência em saúde pública e epidemia de dengue. De acordo com a gerência de Vigilância Epidemiológica da capital, neste ano, os casos estão muito acima do esperado. O ano passado, que havia sido o pior ano da série histórica de análise, teve 242 casos, 195 autóctones, transmitidos em Florianópolis.

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A proliferação do mosquito é o principal fator. A melhor forma de proteção é eliminar água parada em casa e no local de trabalho e incentivar os vizinhos a fazerem o mesmo. Quanto mais longe de focos de mosquito, melhor. Além disso, destaque para uso do repelente e atenção aos sintomas.

Atuar no combate aos focos é o objetivo principal da prefeitura no momento, assim como a conscientização da população, pois somente com a colaboração dos moradores, a situação pode ser alterada. Segundo a gerência do Centro de Controle de Zoonoses da Prefeitura, as ações atuais estão ligadas às pesquisas vetoriais e atendimento de denúncias. As pesquisas vetoriais incluem monitoramento dos casos positivos das pessoas com dengue em um raio de 50 metros da residência, em busca do foco do mosquito. Além disso, equipes da gerência recebem denúncias por telefone. A cada quinze dias, uma equipe visita os pontos estratégicos – ao todo, são mais de 300 na capital catarinense, entre oficinas, borracharias, ferros-velhos, cemitérios, entre outros.

Como acabar com os focos?

Os focos em Florianópolis estão mapeados dentro das residências, alerta a gerência do Centro de Controle de Zoonoses. A partir do mês que vem, a prefeitura vai iniciar o monitoramento das estações disseminadoras, por meio de um projeto em parceria com a Fiocruz. Além disso, a gestão pública municipal pretende voltar a fazer mutirões por toda a cidade para combater o mosquito.

De acordo com o ministério da saúde, a melhor forma prevenção é evitar a proliferação do Aedes Aegypti. Para isso, água parada nem pensar: atenção aos vasos de plantas, pneus, piscinas sem uso ou garrafas, que podem acumular água, do jeito que o mosquito gosta. Manter calhas limpas e deixar garrafas viradas são algumas formas de contribuir para mitigar a situação.

Caso não seja possível verificar todo o dia, medidas como colocar areia nos pratos dos vasos, tampar caixas d’água e outros recipientes, são formas de evitar o acúmulo de água parada. Como os focos já estão em alta, os moradores podem priorizar roupas que diminuam a exposição da pele e utilizar mosquiteiros para proteção.

Em caso de recorrência nos focos, multas são aplicadas pelos fiscais da Vigilância.

Aplicação do inseticida

Locais considerados infestados e que possuem maior número de pessoas com dengue recebem também aplicação de inseticida contra o Aedes Aegypti, no período entre 17h e 20h. As casas precisam estar abertas para que o veneno entre, pois o mosquito se esconde atrás de cortinas e embaixo do fogão ou geladeira. O produto é autorizado pela Anvisa e enviado ao governo do estado, que disponibiliza para a prefeitura após acordo com a Diretoria de Vigilância Epidemiológica Estadual (DIVE).

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Conforme os casos aumentam, a DIVE envia o produto e a prefeitura aplica. Em alguns locais, agentes do estado também participam da aplicação de forma conjunta. Na sexta passada, foi o que ocorreu nos bairros Centro, Ingleses e Capivari. A orientação é que os moradores deixem a casa aberta, cubram alimentos que possam estar em cima da mesa, como frutas ou verduras. Em caso de animais em pátios, os donos devem proteger os pets nos fundos da residência, se possível. No entanto, a gerência lembra que o produto é seguro e não causa mal para as pessoas.

Atenção aos sintomas

Com os focos e casos em alta, os moradores da capital devem prestar atenção aos sintomas da doença. Pacientes com dengue podem ser assintomáticos, ter sintomas leves ou graves – podendo até ir a óbito. Febre alta e contínua, dor de cabeça, dores no corpo e articulações, fraqueza, dor atrás dos olhos, erupções e coceira na pele, com ou sem manchas vermelhas, estão entre os sinais. Além disso, dor abdominal, vômitos, falta de apetite e mal estar podem acompanhar esses sintomas. Como não existe tratamento específico para a dengue, casos suspeitos devem ter acesso a um profissional de saúde para o diagnóstico e orientações.

Para mais informações sobre as ações desenvolvidas na capital catarinense para combater a dengue, acesse o portal da prefeitura. Toda a colaboração é fundamental. Não deixe água parada em recipientes! Assim, diminuem as chances de proliferação do mosquito Aedes Aegypti.

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