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Com Santa Catarina na produção, novela Império está de volta

Conversamos com o roteirista catarinense e chargista da NSC, Zé Dassilva, que integrou o time de produção da “novela das nove” que reestreia nesta segunda-feira, 12

12/04/2021 - 06h00

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Por Janaína Laurindo
Alexandre Nero
Comendador interpretado por Alexandre Nero
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Originalmente exibida em 2014, a novela “Império” está de volta para a faixa das 21h na TV Globo, no lugar de “Amor de Mãe”. A trama é a segunda de Aguinaldo Silva a ser reexibida por causa das restrições ocasionadas pelo Covid-19, que suspenderam as gravações dramatúrgicas da emissora. No ano passado, a primeira foi “Fina Estampa”, de 2011.

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A novela, que venceu o Emmy Internacional de melhor telenovela, em 2015, em 203 capítulos conta a história do Comendador. José Alfredo de Medeiros é um jovem humilde e sonhador que faz fortuna no perigoso mundo do comércio ilegal de joias, se tornando dono de uma rede de joalherias. O personagem é interpretado por Chay Suede na juventude e por Alexandre Nero na segunda fase. “Império” é uma trama com muita ambição, cobiça, ódio, romance e traição.

A novela tem direção artística de Rogério Gomes e direção geral de Pedro Vasconcelos e André Felipe Binder. Aguinaldo Silva contou com um time de oito roteiristas para a produção do folhetim, entre eles o catarinense, chargista da NSC, Zé Dassilva. Em entrevista, Zé que é jornalista de formação e já trabalhou em outras produções da emissora — como os humorísticos “Sai de Baixo”, ‘Sob Nova Direção”, “Casseta & Planeta”, “Turma do Didi”, e as novelas "Malhação" e "Pega Pega" – fala sobre a experiência de trabalhar com o autor, a importância do folhetim em sua trajetória profissional e também conta detalhes sobre a função de roteirista. Confira:

Como foi a sua participação na novela de Aguinaldo Silva?

Eu já trabalhava na Globo há 13 anos, já tinha feito programas como Sai de Baixo, Linha Direta, Casseta, Sob nova Direção e Malhação, quando mandei um roteiro para um concurso promovido pelo Aguinaldo Silva. Fui um dos vencedores e, na premiação, falei para ele que eu já trabalhava na emissora, aí ele me convidou para integrar a equipe de roteiristas. Foi uma ótima experiência, a novela se tornou um sucesso e a aventura do comendador marcou aquela época na TV brasileira. Na sua reta final, Império atingia mais de 40 pontos no Ibope e, de quebra, ainda venceu o Emmy International como melhor novela mundial de 2015.

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Zé Dassilva ao lado de Aguinaldo Silva
Zé Dassilva ao lado de Aguinaldo Silva com o troféu do Emmy 2015. Foto:
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Você já declarou um carinho especial por esse trabalho. O quão importante foi a novela “Império” na sua trajetória profissional?

Foi antes de mais nada um grande aprendizado, pois além de saber tudo sobre novelas e de ter as maiores audiências, o Aguinaldo é também o cara mais culto, gentil e generoso com quem alguém pode trabalhar. O sucesso de Império fez com que, depois disso, eu passasse a trabalhar apenas em dramaturgia diária, o que era um passo importante que eu queria dar na minha atividade na TV.

Como recebeu a notícia da reprise de “Império” na grade da TV Globo?

Como se estivesse reencontrando um antigo amigo – ou melhor, vários antigos amigos. Cada personagem daqueles ocupou a cabeça do Aguinaldo e da equipe de roteiristas por mais de um ano e, de repente, quando a novela acabou, foi como se tivessem sido congelados. Nunca mais pensamos neles, até porque logo em seguida vieram outras novelas com outros personagens para ocupar nossa cabeça. Aí agora é como se eles voltassem à vida, mas com uma diferença: ao invés de nos preocuparmos com eles, podemos apenas curtir – e tentar não dar spoiler.

Maria Ísis (Marina Ruy Barbosa)
Maria Ísis (Marina Ruy Barbosa) é amante do Comendador e torna-se sócia da Império depois da morte dele.
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Como funciona o trabalho do roteirista em uma novela?

Resumidamente: a gente passa o dia em casa, resolvendo a vida de pessoas que não existem. Cada capítulo de uma novela das 21h costuma ter mais de 40 páginas. No caso de Império, foram 203 capítulos. Isso dá umas 8.000 páginas de texto, e nessa escala é praticamente inevitável que um autor precise de mais pessoas para escrever. O sistema de trabalho varia de autor para autor: alguns gostam que os demais roteiristas ajudem a pensar a história, já outros escolhem alguém para lhe ajudar com a estrutura, mas na maioria das vezes a função da equipe passa principalmente por escrever os diálogos. Não é raro a gente escrever tipo 15 páginas por dia. Para isso, é necessário que esteja todo mundo afinado, por dentro da intenção de cada personagem e sintonizado com o estilo do autor.

Estamos passando por um momento obscuro no país e no mundo e a TV é um meio importante para levar informação para o público, mas também tem um forte papel em levar entretenimento para a casa dos telespectadores. Nesse sentido, como você avalia a importância das novelas e de outras produções artísticas durante esse período de pandemia?

Apesar de as emissoras, estúdios e produtoras do mundo todo enfrentarem dificuldade para reunir pessoas a fim de realizar as gravações por causa da pandemia, o audiovisual continua sendo não só uma forma de entretenimento, mas também de espelho da sociedade. No caso do Brasil, a novela é quem melhor desempenha esse papel. Tem sido assim há décadas e será assim por muito tempo.

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Você estava produzindo algo com a Claudia Souto, com quem já trabalhou em outros projetos. Em que pé anda essa nova produção?

A Claudia é uma amiga de longa data e que nos orgulhou com o sucesso que fez em 2017 com “Pega Pega” na faixa das 19h, em que eu colaborei durante um período antes de começar na novela seguinte do Aguinaldo. Agora ela está com “Cara e Coragem”, outra novela no horário das 19h. Além de mim, a equipe tem também Isadora Wilkinson e Júlia Laks, e estamos escrevendo os capítulos que devem estrear no fim de 2021 ou início de 2022.

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