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    Novas regras?

    Comissão do Senado estuda abolir "ç", "ch" e "ss" da língua portuguesa

    Grupo técnico pretende alterar a nova reforma ortográfica, tornando a escrita mais próxima da fala

    18/08/2014 - 09h05 - Atualizada em: 21/08/2014 - 15h42

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    Por Redação NSC
    Novas regras podem ser ensinadas em sala de aula a partir de 2016
    Novas regras podem ser ensinadas em sala de aula a partir de 2016
    (Foto: )

    Mal deu tempo para entender o que o último acordo ortográfico fez com o acento de voo, com o hífen de antissocial e com o trema de cinquenta, e uma nova proposta, ainda mais radical, já está em elaboração pela Comissão de Educação do Senado.

    A partir de 2016, se entrar em vigor o projeto que pretende fasilitar o ensino e a aprendizajem da língua portugeza, vosê poderá ser obrigado a escrever asim (leia outros exemplos abaixo).

    As (mais recentes) novas regras para o português devem ser apresentadas pelo grupo técnico da Comissão de Educação até 12 de setembro. Elas podem alterar as mudanças que tinham obrigatoriedade prevista para o fim de 2012, foram prorrogadas por quatro anos, e que, até agora, quase ninguém aprendeu direito. Além de reduzir o número de regras e exceções na língua, o objetivo da comissão é expandir o debate com a comunidade, especialistas e países que falam o português.

    - O projeto estava entrando em vigor sem ter sido discutido no Brasil. A Academia Brasileira de Letras (ABL) estava fazendo uma reforma sozinha, de um jeito muito conservador. Então pedimos o adiamento do prazo de obrigatoriedade e montamos uma comissão para propor novas regras, simplificar a ortografia e, principalmente, padronizar a gramática com outros países - afirma o presidente da comissão, senador Cyro Miranda (PSDB-GO).

    Como senador não palpita sobre a presença ou a ausência de "cê-cedilha, hagá ou ceagá", dois especialistas foram chamados para coordenar o grupo técnico: os professores de português Pasquale Cipro Neto e Ernani Pimentel, responsável pelo site simplificandoaortografia.com - que fomenta um movimento para "substituir o decorar pelo entender" e reúne pitacos de quem se interessar pelo assunto.

    - Por enquanto estamos juntando sugestões. Pretendemos redigir o conjunto de regras e apresentar entre 10 e 12 de setembro, no Simpósio Internacional Linguístico-Ortográfico da Língua Portuguesa, em Brasília. Esse projeto será levado ao Senado, que irá realizar uma audiência pública para ouvir todos que quiserem contribuir - diz Pimentel.

    Entrevista: "Caza com 'z' continua sendo um substantivo", diz coordenador do grupo técnico

    A polêmica não deverá ser pequena. Para a doutora em Filologia Românica e professora do Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada da Unisinos, Dorotea Kersch, a proposta é um "absurdo, a legítima falta de ter o que fazer".

    - Não existe língua fácil ou língua difícil. Cada língua tem sua história e suas especificidades. Não é simplificando a ortografia que resolvemos os graves problemas de leitura e escrita de nossos alunos, que são escancarados a cada avaliação sistemática. Quem sabe os senadores se preocupam com coisas que realmente impactam o ensino, como salário de professores, ou uma política de ensino de língua adequada às diferentes realidades do Brasil - rebate.

    Conforme o senador Miranda, o objetivo é ter a versão final do projeto pronta até maio de 2015 para que seja colocada em votação e possa entrar em vigor no início de 2016. Até lá (e se chegar lá), o processo é longo, e não são poucos os obstáculos. No caminho, ainda estão a resistência que mudanças radicais provocam, a morosidade com que o assunto é levado no Brasil - o último acordo ortográfico proposto foi discutido na década 1970, assinado em 1990 e aplicado a partir de 2008 - e a necessidade de se convencer todos os países a aprovarem a nova forma de se escrever português.

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    Conheça regras que devem ser propostas pela CE:

    Fim do H no início da palavra:

    Homem - Omem

    Hotel - Otel

    Hoje - Oje

    Humor - Umor

    G fica som de "gue":

    Guerra - Gerra

    Guitarra - Gitarra

    CH substituído por X:

    Chá - Xá

    Flecha - Flexa

    S com som de Z vira Z:

    Asa - Aza

    Brasília - Brazília

    Base - Baze

    X com som de Z vira Z:

    Exame - Ezame

    Executar - Ezecutar

    C antes de E e I vira S:

    Censura - Sensura

    Cedo - Sedo

    Cidade - Sidade

    SS vira S:

    Gesso - Geso

    Fossa - Fosa

    SC antes de E e I vira S:

    Nascer - Naser

    XC com som de S vira S:

    Exceto - Eseto

    Excêntrico - Esêntrico

    O que mudou com o acordo de 2008:

    O último acordo acabou com o trema, alterou 0,5% das palavras utilizadas no Brasil (1,6% da grafia usada em Portugal) e incorporou as letras "k", "w" e "y" ao alfabeto. O acento agudo desapareceu nos ditongos abertos "ei" e "oi" em palavras como "idéia" e jibóia" e nas palavras paroxítonas com "i" e "u" tônicos, quando precedidos de ditongo em palavras como "feiúra". O acento circunflexo deixou de ser usado em palavras com duplo "o", como "enjôo", e na conjugação verbal com duplo "e", como vêem e lêem. O temido hífen desapareceu em palavras em que o segundo elemento comece com "r" e "s", como "anti-rábico" e "anti-semita" - cuja grafia passou a ser "antirrábico" e "antissemita". O hífen foi mantido quando o prefixo termina em "r", como "inter-racial".

    * Zero Hora

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