*Lucas Gnigler, especial para o Diário Catarinense

Eu conversava com um taxista de Dubai sobre os impressionantes carros na rua quando ele comentou: ”Olha esse Tesla atrás da gente!” Dubai é ostentação. Mas já volto a esse ponto. Antes, quero destacar outro momento da conversa. 

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O taxista me disse que precisa lavar o carro quase todos os dias, caso contrário pode ser multado. Nao entendi, e ele explicou que o carro sujo passa uma imagem ruim. Mesma coisa, disse ele, se o seu carro tiver alguma avaria aparente — é preciso consertá-lo antes de ir para a estrada. Dubai vive, e exige que você viva, de aparências. 

Essa regra remete à teoria das janelas quebradas. Imagine um automóvel estacionado na sua rua. E imagine também um outro automóvel estacionado na sua rua — mas este com uma janela quebrada. Logo logo outros vidros serão quebrados. Alguém vai abri-lo e pegar o que tem dentro. E por aí vai, numa progressão de pequenos delitos. 

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Uma janela quebrada é um indício de que não há fiscalização, de que tudo é permitido. Por isso, em Dubai, leis rígidas punem os pequenos deslizes — pois eles antecedem os grandes. 

A ostentação e a grandeza também são, de certa forma, coercitivas em Dubai. Descendo o elevador do Burj Khalifa, edifício mais alto do mundo, ouço uma narração que resume o que eu já estava percebendo: não se trata apenas de construir prédios grandes. É uma questão de orgulho. 

Dubai molda o comportamento ao criar regras simples e punições severas. Mas Dubai também provoca movimento ao ostentar suas façanhas. Que servem de modelo para muita gente. É intencional. 

Você chega em Dubai impressionado. E logo começa a entender como as coisas funcionam — e começa a pensar nas possibilidades. E volta para casa pensando em tudo que você poderia construir de grandioso. Se funciona em cidades, talvez se aplique ao indivíduo: o caminho pessoal para construções grandiosas também passa pela própria imagem e pelas regras rígidas que impomos a nós mesmos?

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*Lucas Gnigler é sócio da 8R Negócios.

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