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    Como a redução da taxa básica de juros impacta na economia do cotidiano

    Indexador em baixa puxa, por tabela, as taxas de outras modalidades de crédito, ainda que em ritmo lento. Os juros do comércio em janeiro são os menores desde novembro de 2014

    16/02/2020 - 06h05

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    Por Pedro Machado
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    A redução, no início do mês, da taxa básica de juros, a Selic, para 4,25% ao ano – o mais baixo índice da série histórica – escancara um descompasso com os juros da vida real. Um levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) mostra que, na ponta, o custo do crédito tem peso completamente diferente no bolso do consumidor (veja no gráfico mais abaixo).

    A boa notícia é que a Selic em baixa influencia, por tabela, as taxas de outras modalidades de crédito, ainda que em ritmo lento. Os juros do comércio em janeiro, por exemplo, segundo a Anefac, são os menores desde novembro de 2014. Toda essa conjuntura cria um cenário mais favorável à geração de emprego e renda, avalia Miguel José Ribeiro de Oliveira, diretor de estudos e pesquisas da Anefac. Isso porque taxas de juros menores incentivam financiamentos de bens e serviços e, como consequência, o consumo das famílias. Por outro lado, crédito a custo mais em conta impulsiona investimentos das empresas, que podem resultar em abertura de vagas de trabalho.

    – Esta taxa está estimulativa. É para dar um empurrão no crescimento do país – analisa Cesar Corso, assessor de investimentos da Patrimono Investimentos.

    O governo federal ganha diretamente com a medida. Juro menor significa menos recursos gastos no pagamento da dívida pública. O Ministério da Economia estima que a redução da Selic gerou, ao longo de 2019, uma economia de cerca de R$ 69 bilhões. Para quem aplica dinheiro, a Selic no mais baixo nível da história é um sinal de alerta para reavaliar a carteira de investimentos (veja simulação a seguir).

    Os juros na ponta poderiam ser mais atrativos se a concessão de crédito no Brasil não fosse tão cara, observa Oliveira. Além da própria Selic, usada como referência, bancos e instituições financeiras levam em conta uma série de outros fatores na definição do custo de captação, como impostos, despesas administrativas com funcionários e o risco de calote (que aumenta em economias com alto índice de desemprego), e a própria margem de lucro. Além da concentração de mercado, que inibe a concorrência.

    – Os cinco principais bancos do país têm mais de 85% do crédito – reforça Oliveira.

    A ascensão de fintechs (bancos digitais) pode melhorar o cenário no médio e no longo prazos, mas elas ainda fazem “cócegas” nos grandes agentes financeiros, diz o diretor da Anefac. Cooperativas de crédito, que não têm o lucro como objetivo final e, por isso, costumam oferecer taxas mais atrativas do que as instituições tradicionais, podem ganhar vantagem. Elas vislumbram boas perspectivas com o cenário de queda no juro.

    – A expectativa é que a gente tenha um bom volume de crescimento de crédito a partir de agora – projeta Vanildo Leoni, diretor-executivo da Viacredi, que reúne 540 mil cooperados e gere R$ 6,3 bilhões em ativos.

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