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    Como é a vida na bolha? Jornalista fala sobre a cobertura das finais da NBA

    Repórter Guilherme Roseguini e membros da equipe da Rede Globo vivem experiência inédita acompanhando a reta final dos jogos da liga norte-americana de basquete, na Flória

    27/09/2020 - 09h00

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    Everton
    Por Everton Siemann
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    Guilherme Roseguini e a equipe em uma gravação na área reservada à imprensa, dentro de um dos ginásios
    (Foto: )

    Imagine como é viver num local onde você está isolado da Covid-19, passa por testes frequentes e é constantemente monitorado para evitar o coronavírus. Isso é possível para um grupo muito restrito de pessoas. E entre eles está o jornalista Guilherme Roseguini. Ele e outros profissionais da Rede Globo estão entre os selecionados para ingressarem a bolha da NBA, a liga norte-americana de basquete.

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    Desde o último dia 10, Roseguini deixou Nova York, onde mora e atua como correspondente internacional da Globo, passou a viver dentro do complexo montado pela NBA em Orlando, no estado da Flórida, na Costa Leste dos Estados Unidos, para concluir a temporada 2019-2020 da principal liga de basquete do mundo. 

    A experiência foge ao cotidiano do trabalho jornalístico: 

    – O legal dessa história é perceber que quando as pessoas se unem em prol de alguma coisa, fica mais fácil de conseguir aquilo. Quando você tem cabeças pensando juntas e aceitando um grande pacto coletivo, a coisa funciona. 

    Por telefone, Roseguini contou um pouco sobre o cotidiano e a vida na bolha. Confira na entrevista a seguir: 

    O que mais impressionou na bolha, de largada?

    O que mais impressionou de largada foi como eles conseguiram construir um sistema que é, na verdade, um grande acordo coletivo baseado em protocolos de segurança e sanitários que todo mundo tem que seguir. Mas eles não têm uma redoma que protege todo mundo do vírus, depende da participação das pessoas. E eles conseguiram esse engajamento numa época em que isso era bem difícil. Conseguir convencer as pessoas de um projeto e que isso tem que ser levado muito a sério. Deu supercerto. Está todo mundo cuidando, pensando no todo, no bem maior. Você não pode perder os testes.

    No caso dos jogadores, diariamente, reportar os sintomas, fazer o monitoramento muito preciso do que você está sentindo, como está o seu corpo. Do nosso grupo, que não tem acesso à quadra, mas está dentro da bolha, a gente faz testes a cada 72 horas, tem que relatar se você está sentindo alguma coisa, uma medição de temperatura sempre que sai do hotel para ir a algum lugar aqui dentro. Essa participação em massa e todo mundo seguindo os protocolos chamou bastante a atenção.

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    Imagem mostra parte da estrutura do resort onde jogadores, dirigentes e jornalistas estão na reta final da NBA
    (Foto: )

    A gente está falando de um universo de quantas pessoas aí dentro da bolha?

    Começou com 860, com todos os times. Isso foi sendo reduzido. A gente não tem uma noção precisa agora, porque quando as séries chegaram às semifinais de conferência, as famílias foram autorizadas a entrar. Cada jogador tinha direito a três ou quatro membros familiares, e depois os técnicos também. Mas não foi todo mundo que usou isso. Teve gente que trouxe os filhos para cá, teve gente que não trouxe ninguém.

    O número exato de quantas pessoas estão aqui agora, a NBA nunca nos passa. E todo esse controle que mencionei anteriormente funcionando para todo mundo: familiar, filho, criança, todo mundo passa por teste, todo mundo tem que seguir todos os protocolos.

    Como está sendo a rotina de trabalho sem poder se aproximar dos jogadores, ficar longe das quadras?

    Essa parte é muito diferente em relação ao nosso trabalho como era. Normalmente nessas coberturas, você tinha muito mais acesso aos jogadores, principalmente a membros da comissão técnica – no nosso caso é bem importante, porque a gente tem inclusive brasileiros trabalhando nessa função agora nas finais –, mas tudo é virtual. Tudo é por videoconferência.

    E o principal motivo é esse. Eles falam: vocês são de um segundo grupo, que não está sendo testado diariamente, e a gente não pode ter esse risco do contato com os jogadores. No trabalho para você interagir e conseguir tirar alguma coisa, exige um outro tipo de esforço da sua parte. Então, os jogadores são muito solícitos. Mas você não tem impressões que você tinha antes.

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    Por outro lado, poder estar numa arena vazia, sem torcedores e num espaço que é acanhado, dá pra gente perceber coisas do jogo que a gente não percebia antes. Escuto os jogadores conversando na partida, não só quando eles gritam, escuto as orientações de quadra, as broncas, as provocações... Isso abriu a nossa cabeça absurdamente para o que acontece no jogo.

    Como ser humano, que lição você tira dessa experiência?

    O legal dessa história é perceber que quando as pessoas se unem em prol de alguma coisa, fica mais fácil de conseguir aquilo. Quando você tem cabeças pensando juntas e aceitando um grande pacto coletivo, a coisa funciona. E outra coisa que me chama atenção é o seguinte: como o dinheiro consegue fazer as coisas. Tudo isso aqui é baseado em muito dinheiro. O processo todo aqui é equivalente a mais de R$ 1 bilhão.

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    Da mesma forma como é legal ver a NBA conseguir fazer um torneio de basquete durante quase três meses, conseguindo se isolar do mundo durante uma época de pandemia, a gente se pergunta: por que a gente não tem isso na sociedade? Por esse lado, é um pouquinho triste.

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    Imagens durante a produção de material em uma área externa da bolha
    (Foto: )

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