Falar da Praia do Pinho traz à tona muita curiosidade. Embora seja o berço do nudismo no Brasil, com meio século de história, ela ainda mexe com imaginário de várias pessoas. Quem frequenta, como funciona? E o que acontece se alguém ficar excitado? Essas são questões comuns nas rodas de conversa, e para respondê-las fomos conversar com quem escolhe curtir um dia de verão como veio ao mundo.

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Mas primeiro vamos falar da praia. A água é limpinha e a areia clara é superfofa. São cerca de 500 metros de extensão, então até mesmo as pessoas com pouco preparo físico conseguem fazer uma caminhada para conhecê-la inteira. Fica às margens da Avenida Rodesindo Pavan, na balada Balneário Camboriú. Da estrada não é possível vê-la por causa da vegetação, o que dá ainda mais privacidade aos banhistas.

A praia é pública e não precisa pagar entrada. Para chegar são duas opções. Há uma trilha sinalizada com um portal, por isso não é incomum ver fileiras de carros estacionados ao longo da estrada. Existe ainda um acesso para automóveis, que leva ao estacionamento de um complexo com hotel, camping e restaurante — então tem infraestrutura para os banhistas.

O local conta até com central de informações, para tirar dúvidas dos turistas. Dados do relatório anual de gestão de praias urbanas aponta que cerca de 400 pessoas passam pelo local diariamente.

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Gilberto, 62 anos, elenca uma série de motivos para escolher curtir o verão na Praia do Pinho. Morador de Balneário Camboriú, o corretor de imóveis na cidade dos arranha-céus cita a natureza exuberante, o espaço intimista e o acesso democrático. Isso porque não é mais obrigatório tirar a roupa nem para frequentar a orla nem para tomar banho de mar.

Ah, mas e se alguém ficar excitado? A recomendação da Federação Brasileira de Naturismo diz que isso pode ocorrer, principalmente com os estreantes. A orientação é discrição, cobrir a região íntima, tomar um banho de mar ou até pensar em alguma coisa aleatória até a ereção passar. “Como em qualquer encontro social, as boas maneiras devem ser aplicadas”, diz a entidade. 

Veja fotos da Praia do Pinho

As imagens são do fotógrafo Patrick Rodrigues e foram feitas com autorização dos banhistas.

Todo mundo nu?

A mistura de pessoas nus com trajadas acabou provocando um inconveniente, segundo Eduarda, de 45 anos. Ela e o marido curtem o verão na Praia do Pinho há uma década. São do tempo em que para entrar todos precisavam estar pelados e havia divisão: de um lado casais e do outro solteiros. A turista diz que a mudança atraiu curiosos, que vão apenas para olhar com cunho sexual a quem está sem roupa.

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Salvador, de 48 anos, chegou a visitar a Praia da Galheta, em Florianópolis, mas sem muita infraestrutura na praia de nudismo da Capital, foi para a de Balneário Camboriú, onde mora. Perto de casa encontrou um local para aproveitar os dias quentes como veio ao mundo. Adepto do nudismo há 15 anos, ele também não gostou da ideia de permitir o acesso de “quem só vem para olhar, mas não quer ser visto”.

Outro problema citado por Eduarda e Salvador é a questão da sexualidade. Pelo código de naturismo, a ausência de roupa não deve ter conotação sexual. Mas para os não praticantes da “filosofia”, a nudez ganha contornos libidinosos. Aí vem o problema das cenas de masturbação e sexo denunciadas à prefeitura. Segundo relatos, elas ocorrem no costão, atrás de algumas pedras.

No dia em que a reportagem visitou a Praia do Pinho não houve qualquer flagrante de cenas, digamos, “inadequada”. Mas é importante lembrar que o fato de se tratar de uma praia de nudismo, prevista em legislação municipal, não permite cenas de sexo ou do gênero. Atos obscenos e libidinosos são crimes de acordo com o Código Penal, cujas penas variam de três meses a cinco anos.

Código de ética do naturismo

Um código de ética da Federação Brasileira de Naturismo elenca os comportamentos considerados inadequados nas praias ou clubes de nudismo de todo o país. Veja alguns deles na lista abaixo:

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  • Ter comportamento sexualmente ostensivo e/ou praticar atos de caráter sexual ou obscenos nas áreas públicas;
  • Praticar violência física como meio de agressão a outrem;
  • Portar ou utilizar drogas tóxicas ilegais;
  • Portar-se de forma desrespeitosa ou discriminatória perante outros naturistas ou visitantes;
  • Causar constrangimento pela prática de atitudes inadequadas.

Praia do Pinho na berlinda

A Praia do Pinho colocou Balneário Camboriú em evidência na década de 1980, fruto de uma estratégia de divulgação da cidade baseada no naturismo, conta o secretário de Turismo, Thiago Veslasques. O atual Plano Diretor reconhece o local como área para essa prática. Entretanto, nos últimos anos, o local virou alvo de queixas frequentes sobre atos libidinosos em público.

A Polícia Militar diz não ter sido chamada no último ano por causa disso e que atende sob demanda. Ainda assim, a nudez na Praia do Pinho está na berlinda. Um projeto de lei em tramitação na Câmara de Vereadores quer que o local deixe de ser naturismo e proíba pessoas sem roupa. Segundo Veslasques, a questão será tema de audiência de pública, para uma decisão democrática.

Se a proposta for aprovada, daria oportunidade de pessoas não adeptas do nudismo de conhecerem a praia. Na outra ponta, porém, acabar com o naturismo seria um retrocesso, entendem os frequentadores. Países como Alemanha, Grécia, Espanha, Estados Unidos e Portugal têm praias onde a nudez é permitida.

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