Uma formação geológica rara localizada em uma pequena cidade do Oeste catarinense ajuda cientistas a compreenderem melhor a superfície da Lua e de Marte. O Domo de Vargeão, em Vargeão, é uma das quatro estruturas do tipo no mundo formadas sobre basalto e se tornou referência internacional em estudos sobre impactos meteoríticos em ambientes semelhantes aos dos planetas vizinhos da Terra.

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Com pouco mais de 3,7 mil moradores, o município abriga um dos fenômenos geológicos mais impressionantes e raros do planeta. A estrutura foi formada após a queda de um meteorito entre 80 e 100 milhões de anos atrás, colocando a região na rota do turismo científico internacional.

A cratera possui cerca de 12 quilômetros de diâmetro e é a única desse tipo em Santa Catarina. O local atrai pesquisadores do Brasil e de diversos países, incluindo cientistas ligados à Nasa, além de estudiosos da Europa e do Japão.

A descoberta da verdadeira origem do Domo começou a ganhar força entre o fim da década de 1970 e o início dos anos 1980, quando o geólogo Álvaro Penteado Crosta, professor da Unicamp, iniciou estudos na região. Até então, havia a hipótese de origem vulcânica.

Segundo Crosta, em entrevista ao Gazeta do Povo, as características das rochas indicavam claramente que a formação foi causada pelo impacto de um meteorito. Os estudos apontam que o objeto tinha entre 550 e 800 metros de diâmetro, era composto por ferro e liberou uma energia equivalente a aproximadamente 500 mil bombas nucleares semelhantes à de Hiroshima.

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O impacto foi tão intenso que provocou deformações permanentes nas rochas da região, marcas que permanecem preservadas mesmo após milhões de anos. Para os cientistas, essas alterações são típicas de colisões meteoríticas e não podem ser reproduzidas por outros processos naturais.

Outro fator que torna o Domo de Vargeão ainda mais raro é o tipo de rocha atingida pelo meteorito. A cratera está localizada sobre basalto, formação predominante também na superfície da Lua e de Marte. Existem apenas quatro crateras desse tipo catalogadas no mundo, sendo três delas no Sul do Brasil.

Essa característica transformou o local em uma espécie de laboratório natural para pesquisas espaciais, permitindo a análise de impactos em basalto sem a necessidade de missões fora da Terra.

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Além disso, a colisão removeu quase um quilômetro de camada basáltica, expondo na superfície o arenito do Aquífero Guarani, que normalmente está localizado em grandes profundidades.

Outro diferencial apontado por pesquisadores e pela Secretaria de Cultura e Turismo do município é o bom estado de conservação da cratera e a facilidade de acesso ao local, fatores que favorecem estudos científicos e despertam o interesse de visitantes do mundo todo.

A área urbana de Vargeão fica na borda sul da cratera (Foto: Google Earth)