Durante as comemorações dos 100 anos de emancipação político-administrativa de Criciúma, no Sul de Santa Catarina, a prefeitura do município apresentou o projeto arquitetônico da Cidade do Autista. O local será construído com o objetivo de aprimorar o desenvolvimento educacional de crianças com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA).

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A estrutura será implementada no terreno do antigo Alvorada Clube, no bairro Pinheirinho, ocupando uma área total de 7.417,50 metros quadrados. O ato também contou com a assinatura da autorização para o início do processo licitatório para contratação de empresa especializada responsável pela execução da obra. Além disso, foram homenageados com medalhas exclusivas do centenário os ex-presidentes do Alvorada Clube ou seus representantes.

— A Cidade do Autista é uma obra projetada para as crianças atípicas, visando oferecer um espaço de estimulação, mas, sobretudo, de acolhimento, compreensão e respeito. Cada detalhe está sendo pensado para garantir que esse público tenha a oportunidade de desenvolver suas potencialidades integralmente. Esse é um compromisso que vai muito além da gestão, é um compromisso com o futuro de Criciúma— ressaltou o prefeito de Criciúma, Vagner Espindola.

Como vai funcionar a Cidade do Autista?

Inicialmente, o local pretende atender crianças de até 12 anos de idade com diagnóstico de TEA, matriculadas nas escolas da rede municipal de ensino de Criciúma.

O atendimento multiprofissional acontecerá no contraturno escolar, contemplando ações integradas de apoio pedagógico, psicológico e fonoaudiológico, bem como atividades voltadas ao desenvolvimento psicomotor e socioemocional dos estudantes. Atualmente, a rede municipal possui 815 crianças com espectro autista, distribuídas em 62 instituições de ensino.

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A secretária de Educação de Criciúma, Geovana Benedet Zanette, destacou que o projeto da Cidade do Autista reforça o compromisso com o cuidado e a inclusão de estudantes com TEA na rede pública. “Esse espaço foi pensado para garantir que cada criança tenha a oportunidade de aprender e se desenvolver de acordo com suas potencialidades. É um projeto que une educação, acolhimento e afeto. A inclusão é um trabalho que se constrói todos os dias, e essa iniciativa será um símbolo dessa caminhada”, afirmou Geovana.

Além do atendimento educacional especializado, o projeto oferecerá acolhimento e orientação às famílias atípicas, com ações de capacitação, apoio emocional e formação de profissionais da rede municipal. O espaço também contará com serviços de saúde voltados ao diagnóstico precoce e ao acompanhamento de pessoas neurodivergentes, com a meta de reunir, no futuro, uma equipe multiprofissional exclusiva para atender pessoas com TEA.

Para o secretário de Saúde de Criciúma, Deivid de Freitas Floriano, o objetivo é oferecer, em um único local, um cuidado humanizado e integral às crianças com TEA. “A iniciativa vai permitir que o cuidado com as crianças com espectro autista seja feito de forma integral, com acompanhamento contínuo e especializado. Teremos um espaço preparado para oferecer o processo de reabilitação, com profissionais de diferentes áreas atuando em conjunto. É um investimento em saúde pública, mas também em qualidade de vida e inclusão”, completou o secretário.

Projeto arquitetônico

O novo centro foi planejado para unir modernidade, funcionalidade e acolhimento. Com 2.087,93 metros quadrados distribuídos em três pavimentos, o projeto arquitetônico contempla espaços dedicados ao atendimento educacional, terapêutico e familiar, além de áreas externas voltadas ao lazer e à inclusão.

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No subsolo, ficarão os ambientes de estimulação corporal e funcional, como sala de psicomotricidade, brinquedoteca terapêutica e espaços para terapia ocupacional e fisioterapia. Também haverá cozinha e refeitório acessível, pensados para o trabalho com seletividade e hábitos alimentares.

O térreo abrigará os setores administrativos e de atendimento especializado: recepção, secretaria, direção, coordenação pedagógica e consultórios para atendimentos médicos, psicológicos, fonoaudiológicos, psicopedagógicos, nutricionais e sociais. A disposição dos ambientes foi pensada para favorecer o trabalho interdisciplinar e o cuidado individualizado de cada criança.

Já o pavimento superior concentrará as atividades coletivas e de formação, com um auditório multifuncional para 225 pessoas, salas de arteterapia, musicoterapia, treinamento familiar, além de espaços sensoriais e de descompressão.

A área externa também foi projetada para ampliar as possibilidades de desenvolvimento e convivência. O espaço contará com Jardim Sensorial, Mini Cidade, quadra esportiva, piscina coberta, rampa com arquibancada e até um estábulo, que servirão para práticas de equoterapia, esportes adaptados e oficinas de socialização.

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O projeto foi inspirado em centros de referência no atendimento a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), como o Complexo Neurossensorial Casa do Autista (Balneário Camboriú), o Centro de Atendimento à Pessoa com TEA (Itapema), o Centro de Atendimento ao Autista (Pelotas/RS) e o Centro de Ensino Estruturado para o Tratamento do Espectro Autista (Curitiba/PR).

A administração municipal ainda não informou a previsão para o início da implementação da Cidade do Autista, mas o processo licitatório para execução do projeto já está autorizado.