Quem conhece o peixe-lua (Mola mola) só por vídeos curtos costuma achar que ele mal consegue viver. O formato arredondado, a boca pequena e a ausência de cauda tradicional viraram motivo de deboche na internet.
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O problema é que essas imagens mostram só uma parte do comportamento. Pesquisas recentes revelaram que ele não deriva passivamente pelo oceano e consegue nadar longas distâncias, inclusive contra correntes marinhas.
Peixe-lua, um verdadeiro gigante no oceano
O erro de chamar de inútil
O peixe-lua ocupa vários níveis da cadeia alimentar, servindo de alimento para grandes predadores e regulando populações de espécies-presa. Retirá-lo do ambiente marinho altera o funcionamento do ecossistema.
“Espécies vistas como pouco relevantes tendem a receber menos atenção em políticas ambientais, pesquisas científicas e programas de proteção”, alerta o professor de biologia Paulo Henrique Barboza de Castro, em entrevista ao Metrópoles.
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“Isso é preocupante, já que a perda de qualquer espécie pode gerar efeitos em cascata nos ecossistemas”, finaliza o professor.
Em outras palavras, o animal estranho dos vídeos não é uma falha evolutiva. Ele apenas segue uma estratégia diferente que funciona há milhões de anos no oceano.
Corpo estranho, funcionamento eficiente
O movimento acontece pelo batimento sincronizado das nadadeiras dorsal e anal, que substituem a cauda comum dos peixes. Esse mecanismo permite mergulhos profundos e deslocamentos direcionados.
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A espécie vive na coluna d’água, normalmente entre dezenas e centenas de metros de profundidade, podendo ultrapassar 400 metros de profundidade. Mesmo assim sobe à superfície com frequência para regular a temperatura corporal.
O motivo de ficar de lado
A famosa posição horizontal não indica doença nem fraqueza. Ela ajuda na limpeza do corpo. Aves e pequenos peixes retiram parasitas enquanto o animal permanece exposto.
O peixe-lua carrega muitos organismos aderidos à pele e até produz muco para reduzir infecções. A permanência na superfície facilita essa “manutenção biológica”.
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Alimentação e equilíbrio do mar
Durante muito tempo acreditou-se que ele só comia águas-vivas. Hoje se sabe que a dieta inclui diversos grupos marinhos, como crustáceos, moluscos e pequenos peixes, variando conforme a idade.
Mesmo assim, as medusas continuam sendo parte importante do cardápio. Por isso a espécie atua como reguladora natural dessas populações, evitando explosões que afetam banhistas e outros animais.
Gigante entre os peixes ósseos
O peixe-lua é o mais pesado peixe ósseo do planeta. Pode ultrapassar três metros e chegar perto de três toneladas.
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Além do tamanho, produz enorme quantidade de ovos, estratégia que aumenta a sobrevivência da espécie no oceano aberto.
Por que está ameaçado
Apesar da aparência robusta, o peixe-lua é classificado como “vulnerável” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
A principal ameaça é a captura acidental em redes de pesca, já que passa muito tempo próximo da superfície.
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Outro problema é o lixo plástico. Sacolas podem ser confundidas com águas-vivas e causar morte por bloqueio digestivo.
Por Vitoria Estrela
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