Em meio à febre dos álbuns de figurinhas da Copa do Mundo, uma escola de Garopaba, no Sul catarinense, encontrou uma forma criativa de transformar o entusiasmo dos estudantes em uma ferramenta de integração da comunidade escolar. Na E.E.B. Prof. José Rodrigues Lopes, os protagonistas das trocas no recreio deixaram de ser apenas os jogadores de futebol: agora, professores, merendeiras, serventes e vigilantes também estampam figurinhas colecionáveis.

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A iniciativa partiu do professor David Goulart Nunes, que percebeu o impacto positivo que os álbuns da Panini tinham na socialização dos alunos. Segundo ele, a troca de figurinhas já fazia parte da rotina escolar, com estudantes interagindo durante os intervalos e compartilhando as repetidas.

— Notei que tudo isso se torna um fenômeno da comunidade; as crianças se juntam, conversam e interagem, mesmo em uma realidade onde as telas têm distraído muitas delas de atividades manuais. Conversando com outros professores, sugeri: e se aproveitássemos todo esse envolvimento e produzem algo regional, que envolvesse ainda mais os estudantes? — conta.

Foi assim que surgiu a ideia de criar um álbum com os profissionais da escola. O projeto envolveu diversas etapas, desde a adesão voluntária dos participantes até a produção das figurinhas. David entrou em contato com os colegas, reuniu fotografias em boa qualidade e utilizou um modelo-base para diagramar o material.

Quase 70 figurinhas e personagens extras no álbum

Ao todo, foram produzidas quase 70 figurinhas. Para completar o álbum, também foram incluídas algumas “legends”, como os estudantes costumam chamar personagens especiais. Entre elas estão Anya, do mangá Spy × Family, e Jimin, integrante do grupo sul-coreano BTS, referências populares entre os alunos.

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Com o material pronto, o professor buscou apoio da Gráfica Pinta, de Garopaba, que aceitou firmar uma parceria para tornar a iniciativa mais acessível. Atualmente, os pacotes de figurinhas são vendidos por R$ 2.

Projeto fortaleceu vínculos dentro da comunidade escolar

A repercussão dentro da escola superou as expectativas. De acordo com David, tanto os estudantes quanto os profissionais abraçaram a ideia desde o início.

— Muitos estudantes, de todos os anos, vão até a sala da direção todos os dias desde a semana passada para comprar figurinhas e reservá-las. Além disso, isso gerou uma relação mais próxima entre todas as pessoas da escola. Os estudantes passaram a reconhecer os funcionários, e os professores passaram a reconhecer seus próprios colegas. É um efeito social muito curioso de se observar — afirma.

As trocas de figurinhas já renderam situações inusitadas e divertidas pelos corredores da escola. Segundo o professor, tornou-se comum ouvir frases como: “Eu tenho duas figurinhas do Rodrigo, se alguém tiver uma da Dani, eu troco”.

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O impacto também se refletiu na rotina escolar. Além dos tradicionais álbuns da Copa, os estudantes passaram a disputar figurinhas dos próprios professores nos jogos de “bafo” e nas trocas durante o recreio. Muitos procuram os educadores para mostrar as figurinhas conquistadas e até pedir autógrafos.

— É fascinante observar que a atividade foi abraçada pela comunidade e que o apoio veio de diferentes frentes: professores, estudantes, famílias e por aí vai — destaca David.

Professor diz que engajamento da comunidade para completar álbum é fascinante; veja fotos