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    Coronavírus: família de Palhoça busca ajuda do governo para poder deixar a China

    Mãe e filha deveriam voltar ao Brasil no dia 25, mas aeroporto da cidade de Wuhan foi fechado. Local concentrou os primeiros casos da doença

    29/01/2020 - 19h16 - Atualizada em: 29/01/2020 - 20h23

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    Por Jean Laurindo
    Pablo com a mulher e a filha, no dia em que as duas embarcaram para a China, no final de outubro
    Pablo com a mulher e a filha, no dia em que as duas embarcaram para a China, no final de outubro
    (Foto: )

    Os casos de coronavírus que começaram na China e agora são registrados em outros locais do mundo despertam atenção. Nesta quarta-feira (29), dois casos suspeitos em Santa Catarina chegaram a ser divulgados pelo Ministério da Saúde, mas foram descartados cerca de uma hora depois após exames apontarem que se tratavam de vírus Influenza B.

    Para o ilustrador Luís Pablo Lassalle Olivera, 44 anos, a situação já provoca uma angústia muito maior. A esposa dele, Hui Zhang, e a filha Isabela Lassalle Zhang, de um ano e meio, estão isoladas na cidade chinesa de Wuhan, considerada o epicentro da epidemia de coronavírus na China.

    Pablo e Hui são casados há mais de sete anos. Moraram na China, mas desde 2017 residem em Palhoça, na Grande Florianópolis, cidade que escolheram para criar a filha Isabela. Em 31 de outubro do ano passado, Hui viajou com a filha para passar três meses com a família dela na China.

    A volta estava programada para o dia 25 de janeiro. Mas dois dias antes o governo fechou o aeroporto de Wuhan por causa da epidemia de coronavírus.

    – Quando vi na TV que fecharam o aeroporto de lá, era madrugada na China. Fiquei sabendo antes dela, o Ocidente ficou sabendo antes. Ela não acreditou, mas ligou para a empresa aérea e confirmou que não conseguiria mais decolar – conta Pablo.

    Desde então, Hui e Isabela não conseguem voltar para casa. Elas permanecem no apartamento que o casal possui na cidade e visita uma tia que mora na mesma rua. A cidade, que foi a primeira a registrar casos da doença, teme um possível aumento de casos do coronavírus.

    Pablo agora pede que o governo do Brasil ajude nas relações com o governo chinês para permitir que os brasileiros que estão isolados na cidade possam retornar para casa. Ele já tentou contatos com o Itamaraty, mas não obteve resposta dos e-mails e telefonemas.

    – O governo brasileiro está atrás de outros países, que já agiram para tirar seus habitantes da China. Acredito que o governo vai fazer a coisa certa, que é tirar as pessoas de lá – apela Pablo.

    Itamaraty afirma estar em "constante diálogo"

    Esta semana o Itamaraty já emitiu nota informando que está em constante diálogo com o governo chinês, mas alertando critérios que seriam necessários para a retirada de pessoas do local. "Recorde-se que qualquer evacuação demandará, além da autorização chinesa, cumprimento das normas internacionais sobre quarentena e permissão de sobrevoo e pouso de avião com pessoas provenientes de área que experimenta surto da doença”, diz um trecho da nota.

    O presidente Jair Bolsonaro também falou sobre o assunto e disse “não ser oportuno” retirar os brasileiros de lá neste momento.

    Mesmo assim, o ilustrador lembra que outros brasileiros também estão na cidade com intenção de deixar o local, e defende que o governo auxilie no contato com o governo chinês.

    Nesta quarta, um avião com 240 norte-americanos que estavam em Wuhan chegou aos Estados Unidos.

    – Se os outros países estão tirando as pessoas de lá, por que o Brasil não pode? Governo é para isso, para ajudar as pessoas – cobra o morador de Palhoça.

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