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    Coronavírus: infectologistas de SC defendem restrições sociais para conter curva de contágio

    Medidas para evitar circulação de pessoas visam diminuir velocidade de transmissão da doença para não sobrecarregar sistema de saúde, apontam

    22/03/2020 - 14h42 - Atualizada em: 22/03/2020 - 15h10

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    Por Guilherme Simon

    Infectologista pediatra e coordenador do curso de Medicina da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o médico e professor Aroldo Prohmann de Carvalho acredita que as medidas de restrição social são fundamentais neste momento. Só elas podem conter a curva de contágio do novo coronavírus, ou seja, a velocidade com que a doença progride, diminuindo assim o número de mortes provocadas por ela.

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    — Cada pessoa infectada, mesmo que não tenha sintomas, pode passar a infecção para uma média de quatro pessoas. Então, se as pessoas estiverem circulando normalmente, o risco de um pico muito elevado da doença é altíssimo.

    Na avaliação do médico e de outros especialistas, esse aumento elevado de casos sobrecarregaria o sistema de saúde de tal forma que ele não conseguiria anteder a todas as pessoas.

    — Achatando a curva, a doença vai ficar por mais tempo, mas é melhor que fique por mais tempo e com menos intensidade do que tenha um crescimento agudo e o sistema de saúde não consiga anteder as pessoas. Quanto mais tempo, com uma curva menor, mais pessoas terão tratamento e haverá menos mortes — observa o médico.

    “Medidas em SC no momento certo”

    Antônio Miranda, médico infectologista do Hospital Nereu Ramos, de Florianópolis, avalia que as medidas restritivas visando evitar a circulação de pessoas, como o fechamento do comércio, proibição de eventos e suspensão do transporte de ônibus, adotadas pelo governador Carlos Moisés em Santa Catarina e defendidas também pelo prefeito Gean Loureiro, na Capital, ocorreram no momento certo.

    — Isso vai fazer com que a epidemia no nosso Estado seja mais controlada, e que nós tenhamos mais tempo de nos organizarmos para atender melhor as pessoas. Essas medidas deveriam ser tomadas em todo o Brasil — defende o médico infectologista.

    Médico Antonio Miranda
    Antônio Miranda, médico infectologista do Hospital Nereu Ramos
    (Foto: )

    Prefeito da Capital fez vídeo sobre 'curva de contágio'

    O prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, publicou nas redes sociais na noite deste sábado (21) um vídeo em que fala sobre a curva de contágio do coronavírus, ressaltando a importância de as pessoas ficarem em casa.

    Casos em Santa Catarina

    Até a noite deste sábado (21), na última atualização feita pela Secretaria de Saúde, Santa Catarina tinha 57 casos confirmados e 410 suspeitos do novo coronavírus.

    Eram 10 casos em Florianópolis; seis em Braço do Norte, Tubarão, Criciúma, Itajaí e Balneário Camboriú; quatro em Joinville; dois em Rancho Queimado, Imbituba, Chapecó e São José; e um em Jaguaruna, Jaraguá do Sul, Navegantes, Pomerode e Gravatal.

    Curva da doença em SC até o momento:

    "Situação sem precedentes"

    O infectologista Aroldo Prohmann de Carvalho acrescenta que a pandemia do novo coronavírus é uma situação sem precedentes na saúde, e diz não saber ao certo quanto tempo ela ainda vai durar.

    — Não temos como prever o que vem pela frente. Os epidemiologistas acham que vai demorar dois, três meses. Mas é imprevisível.

    Aroldo Prohmann de Carvalho
    O médico e professor Aroldo Prohmann de Carvalho
    (Foto: )

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