O ex-corretor de imóveis Alaim Domingos da Silva foi condenado a 21 anos e sete meses de prisão, em regime inicial fechado, por uma série de estelionatos de milhões em Penha, no litoral catarinense. Ao menos 40 vítimas foram identificadas e ouvidas em um mutirão na delegacia. Quando foi descoberto, ele fugiu, chegou até a entrar na lista de procurados da Interpol, mas foi encontrado e preso no Espírito Santo meses depois.

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O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) denunciou que o estelionatário vendia o mesmo imóvel para várias pessoas ao mesmo tempo. Em uma ação penal, foram identificadas 17 vítimas com um prejuízo somado de R$1,68 milhão, em valores da época. Além da prisão, ele foi condenado a ressarcir as vítimas.

Quando o esquema começou a ser descoberto pelas próprias vítimas e a prisão foi decretada, o homem fugiu e se escondeu. A Justiça autorizou o bloqueio de bens, como imóveis, carros e dinheiro no banco, em nome de Alaim até R$ 3 milhões, o valor estimado dos golpes que ele supostamente aplicou em clientes. O registro profissional de corretor foi suspenso pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis de SC (Creci-SC) em outubro de 2024.

Alaim chegou até a entrar na lista de procurados da Interpol, a Organização Internacional de Polícia Criminal, mas foi preso depois de cinco meses em fuga em Marataízes, no Espírito Santo, no dia 17 de abril do ano passado. A Polícia Civil capixaba chegou até o paradeiro dele por uma denúncia anônima e ele foi preso na frente da casa onde estava vivendo. De acordo com a polícia, o corretor ainda tentou fugir, mas acabou preso.

Foram encontraram R$ 15 mil em espécie com ele e três cartões bancários em nome de uma mulher, que as autoridades apuram se seria a companheira dele.

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A 2ª Promotoria de Justiça conduz uma segunda ação penal contra o ex-corretor pelo crime, envolvendo outras 23 vítimas identificadas na mesma região. Ele está preso preventivamente e não poderá recorrer da sentença em liberdade.

Entenda como funcionava os golpes

O homem se apresentava como um corretor de imóveis, construtor ou até um proprietário de terrenos em um loteamento da região, como revelou a ação penal da 2ª Promotoria de Justiça de Penha. Ele oferecia lotes e casas “na planta”, prometia facilidades de pagamento, construção rápida e documentação regular, conforme explica o MPSC.

Para parecer se tratar de um negócio bom e legal, ele firmava contratos particulares, reconhecia firmas em cartório, exibia documentos de terceiros e, em alguns casos, até iniciava obras parciais. Tudo isso com o objetivo de manter as vítimas enganadas.

Porém, nos bastidores, o “corretor” não tinha legitimidade para vender esses imóveis ou terrenos, que chegavam a ser comercializadas para diferentes compradores ao mesmo tempo. Conforme ele recebia os pagamentos, passava a adiar os prazos, apresentava justificativas falsas e interrompia o contato.

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Uma reportagem do NSC Total, publicada em outubro do ano passado, mostrou que o corretor enganou dezenas de famílias ao vender a mesma casa para todas elas em Penha. Bruna Samantha foi uma delas e contou à repórter Morgana Fernandes que viu os anúncios em imobiliárias locais e gostou de um sobrado no Loteamento Pedro Borba. O valor de R$ 450 mil não estava abaixo do mercado e toda a papelada, que precisou ser autenticada em cartório, trouxe segurança para que ela e a família confiassem.

O golpe só foi descoberto porque o prazo de entrega das casas foi se aproximando e houve atrasos, conforme relatou o delegado que lidera as investigações, Angelo Fragelli, em entrevista ao NSC Total. Com isso, as famílias começaram a descobrir que tinham adquirido o mesmo lote.