“Medo pela própria vida”. Foi o que a corretora Daiane Alves Souza, de 43 anos, encontrada morta na última quarta-feira (28), escreveu em um e-mail para o 2º Juizado Especial Cível e Criminal de Caldas Novas, antes de ser assassinada pelo síndico do prédio onde morava e também admistrava seis apartamentos. No documento ao qual o g1 teve acesso, a corretora relata ofensas que recebeu de Maicon Douglas de Oliveira, filho do síndico Cleber Rosa de Oliveira, ambos investigados pela morte de Daiane.
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A corretora de imóveis desapareceu no dia 17 de dezembro de 2025, em Caldas Novas. Ela foi vista pela última vez no prédio que fica no Centro de Calda Novas, em Goiás, quando foi até o subsolo do prédio para restabelecer a energia, pois o seu apartamento estava sem luz.
Veja o momento em que Daiane desaparece
Daiane encaminhou um e-mail para endereços do juizado, no qual escreve que Maicon causou a ela, juntamente com o pai, danos “materiais e morais”. No documento obtido pelo g1, que analisa o e-mail, ela também relata ser alvo de ataques de misoginia.
“Por isso, na medida cautelar, peço o pedido de afastamento e divulgação de qualquer forma do meu nome. Tenho medo e receio de minha própria vida”, escreveu a corretora.
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Segundo o e-mail de Daiane, Maicon também era corretor de imóveis e o motivo das ofensas seria para que só ele pudesse trabalhar com as locações no prédio.
Veja as fotos da corretora
Filho do síndico ofendeu Daiane nas redes sociais
Ainda no e-mail, Daiane declarou que Maicon Douglas entrou em contato com ela pelo Instagram com mensagens ofensivas, termos humilhantes e depreciativos, que causaram impacto emocional. O comportamento de Maicon foi de ataques diretos com violência psicológica e misoginia, diz o documento.
“As mensagens continham insinuações sobre a situação financeira da reclamante, além de comentários preconceituosos sobre sua idade, caracterizando um claro caso de etarismo, se referindo à reclamante de forma desrespeitosa, chegando ao ponto de chamá-la de ‘feto inútil'”, diz trecho do documento.
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O documento informa, ainda, que um pedido de deferimento de tutela provisória de urgência foi feito, levando em conta o desgaste emocional causado e os crimes contra a honra e dignidade de Daiane, além de um pedido de indenização por danos morais.
Síndico já havia agredido Daiane com um soco antes do crime
Preso suspeito da morte de Daiane Alves Souza, o síndico Cleber Rosa de Oliveira, de 49 anos, foi acusado de lesão corporal pela corretora. Em depoimento à polícia, Daiane havia relatado que ele deu um “soco com o cotovelo” durante uma discussão sobre falta de água no apartamento no prédio em que ela morava em Caldas Novas. Daiane foi encontrada morta em uma mata em Ipameri, no sul de Goiás, e o síndico confessou o homicídio.
A denúncia de Daiane ofoi feita em maio de 2025. Na época, ela até filmou o momento em que levou o soco de Cleber. Quanto à acusação de lesão corporal, o g1 não obteve um posicionamento da defesa de Cleber. Em depoimento à polícia, Cleber alegou que Daiane o empurrou e que, nisso, o celular dela caiu, enquanto ela gravava a discussão.
A agressão foi denunciada em maio de 2025, e a corretora filmou o momento em que levou o soco de Cleber. Quanto à acusação de lesão corporal, o g1 não obteve um posicionamento da defesa de Cleber. Em depoimento à polícia, Cleber alegou que Daiane o empurrou e que, nisso, o celular dela caiu, enquanto ela gravava a discussão.
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Cleber Rosa foi preso na madrugada de quarta-feira. O síndico do condomínio onde a corretora morava confessou o homicídio e levou a polícia a uma área de mata em Ipameri, no sul de Goiás, onde deixou o corpo.
Segundo o delegado Pedromar Augusto de Souza, além de Cleber, também foi preso o filho dele, Maicon Douglas de Oliveira, suspeito de obstruir a investigação. O porteiro do prédio foi conduzido coercitivamente para prestar esclarecimentos.
O nome dele não foi divulgado e, por isso, o g1 não obteve contato com a defesa para um posicionamento.





