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    Ciência em risco

    Cortes na Capes vão atingir 242 bolsas de pesquisa em Santa Catarina até o fim do ano

    Novo congelamento por parte do Ministério da Educação faz com que universidades catarinenses não recebam investimento previsto de R$ 1,6 milhão

    03/09/2019 - 15h22 - Atualizada em: 03/09/2019 - 15h58

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    Por Lucas Paraizo
    A maior parte dos cortes em bolsas da Capes em SC atinge a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que já comunicou os coordenadores que não abrirá 56 bolsas
    A maior parte dos cortes em bolsas da Capes em SC atinge a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que já comunicou os coordenadores que não abrirá 56 bolsas
    (Foto: )

    O novo corte de 5.613 bolsas de mestrado e doutorado no Brasil anunciado nesta segunda-feira pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) atinge em cheio a produção científica em universidades catarinenses. Conforme dados divulgados pela Capes nesta terça e já comunicados por ofício aos reitores de instituições no Estado, pelo menos 242 bolsas serão congeladas a partir deste mês. Com isso, o governo deixará de investir R$ 1,6 milhão em pesquisas catarinenses até o fim do ano.

    Os cortes afetam bolsas que seriam abertas a partir de setembro, com a implementação de novos pesquisadores após a conclusão de pesquisas anteriores. Com isso a Capes garante que nenhuma pesquisa em andamento será prejudicada, cortando apenas o investimento em novas pesquisas até o fim de 2019.

    O ato já é o terceiro deste tipo desde o início do governo Jair Bolsonaro (PSL). Neste ano, a Capes já teve R$ 819 milhões contingenciados, e no primeiro orçamento feito pelo governo para 2020 o órgão perde metade da verba — que passaria de R$ 4,25 bilhões para R$ 2,20 bilhões.

    A maior parte dos cortes em bolsas da Capes em SC atinge a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que já comunicou os coordenadores que não abrirá 56 bolsas (37 de doutorado e 19 de mestrado). O número se soma a outras 70 bolsas que entraram nos cortes de maio e, segundo o superintendente de Pós-Graduação Juarez Vieira do Nascimento, pode ser ainda maior nos próximos meses.

    Inicialmente os cortes afetariam somente bolsas do programa Capes DS (Demanda Social), mas o ofício enviado pela Capes nesta terça-feira de manhã cita também contingenciamento no programa Proex, que dá bolsas para pesquisas de excelência.

    Outra instituição afetada e que já contabilizou as perdas é a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). Segundo o setor de pós-graduação, 24 bolsas que seriam abertas a partir deste mês já foram congeladas e os alunos serão comunicados.

    No Oeste, a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) também já foi comunicada e sabe que não poderá abrir cinco novas bolsas de mestrado que estavam previstas para setembro. A instituição não sabe ainda, no entanto, quantas novas bolsas teria para implementar nos meses seguintes.

    Apreensão entre os pesquisadores

    Uma das situações que mais preocupa os pesquisadores e as universidades é a dos alunos que largaram empregos por conta das bolsas. Muitos editais não deixam que o estudante contemplado tenha outro trabalho ou fonte de renda oficial para poder receber a bolsa de pesquisa científica. Por isso, muitos pesquisadores que já haviam sido aprovados para as bolsas que abririam este mês já estavam contando com a renda.

    É o caso de Leona Carolina da Silva Marques, de 24 anos. Graduada em Engenharia de Petróleo e terminando a licenciatura em Química, ela era professora da rede estadual de ensino em Penha, no Litoral, e largou o emprego para iniciar uma pesquisa na UFSC. Agora, não sabe como serão os próximos meses:

    — O edital para o mestrado tinha saído no semestre passado e o programa contemplava duas bolsas. Elas seriam para os melhores colocados e um dos critérios era que a pessoa não poderia ter vínculo trabalhista. Eu dava aula em escola e desisti justamente para pegar a bolsa e me dedicar à pesquisa. Comecei a pesquisa no laboratório da UFSC em Blumenau no mês passado e o dinheiro já deveria ter caído, mas por enquanto nada — explica.

    Leona conta que a dedicação exclusiva à pesquisa é essencial para a qualidade do projeto, que é inviável acompanhar resultados e ficar no laboratório tendo que conciliar um emprego ou outra atividade. No caso dela, a pesquisa envolveria complexos de cobre como catalisadores na degradação do meio ambiente e também complexos utilizados na doença de chagas.

    — Agora fico me perguntando como que eu vou fazer. Provavelmente vou ter que procurar outro serviço e fazer o mestrado ao mesmo tempo. A qualidade da pesquisa só tende a piorar, a dedicação pela pesquisa também. Infelizmente prejudica demais a pesquisa. O meio acadêmico está sendo atacado, a produção cientifica está sendo atacada. A gente que vive a realidade sabe que não é fácil desenvolver algum projeto que vai gerar impacto na sociedade, então me entristece quem acha que pesquisa não é trabalho.

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