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    Infância marcada

    Cresce número de crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual em Blumenau

    Das 250 pessoas atendidas pelo serviço de atenção às vítimas de violência sexual no ano passado, 218 possuíam menos de 18 anos

    10/03/2020 - 05h54

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    Bianca
    Por Bianca Bertoli
    Maioria das vítimas é meninas
    Maioria das vítimas é meninas
    (Foto: )

    Uma das melhores fases da vida marcada pela violência. Pessoas que não sabem em quem confiar, que têm medos e inseguranças. Traumas difíceis de superar. Os casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes têm crescido em Blumenau. A cada dois dias, uma é violentada na cidade. Os agressores normalmente são parentes ou pessoas muito próximas à família, conforme levantamento da Polícia Civil.

    Apenas no ano passado, 218 ocorrências de abuso infantil foram registradas pelo Serviço de Atenção Integral às Pessoas em Situação de Violência Sexual (Savs), 32% a mais que em 2018. O serviço público oferece acompanhamento psicológico às vítimas, medicamentos após o crime para evitar gravidez e doenças sexualmente transmissíveis. Por ali passam crianças que foram apalpadas, que sofreram tentativas de estupro ou foram forçadas a ter relações sexuais.

    — É um número que preocupa porque anteriormente percebíamos que acontecia mais com mulheres adultas. Hoje em dia o número de crianças e adolescentes abusados tem crescido muito. Não sei se é porque o serviço está mais exposto ou se a questão da violência está maior — avalia a enfermeira do Savs, Cleusa Marchiori.

    Das 250 pessoas atendidas no Savs ano passado, 201 eram mulheres e 218 tinham menos de 18 anos. A maior parte desse total é formada por crianças e pré-adolescentes. Segundo a delegada de Proteção à Criança, Mulher, Adolescente e Idoso (DPCAMI), Juliana Tridapalhi, 70% dos agressores são parentes próximos ou conhecidos. Ou seja, os pequenos convivem com a ameaça dentro do próprio lar. É por isso que todos devem estar atentos, desde pais e família até vizinhos e professores, recomenda Juliana.

    Sinais da violência

    O comportamento e a fala da criança podem sinalizar que algo está errado. A psicóloga e policial Larissa Canali explica que ouvir e acolher são as palavras-chaves. Ela relata, inclusive, que normalmente quando a criança recebe a devida atenção da família, a recuperação do trauma é mais eficaz. Medo, ansiedade, isolamento social, depressão, tristeza e alterações de comportamento estão entre as reações mais comuns pós-violência.

    — Ouvir e acolher são essenciais para prevenir que eles desenvolvam os sintomas. É preciso passar segurança, transmitir que eles podem confiar na família. E a partir daí buscar ajuda — destaca Larissa.

    O trabalho da Polícia Civil e Savs ocorrem em paralelo. Enquanto as assistências psicológicas e médicas são oferecidas pela instituição, a delegacia investiga a denúncia. Com o inquérito instaurado, os envolvidos são ouvidos pelo escrivão. A vítima, por um policial psicólogo.

    A queixa pode ser feita em qualquer delegacia, mas recomenda-se a especializada para um atendimento mais adequado. Em Blumenau a DPCAMI fica no bairro Velha, próximo ao Parque Ramiro Ruediger. Denúncias anônimas também podem ser feitas pelo disque 100. A pena para quem for condenado por abuso sexual infantil varia de oito a 15 anos de prisão.

    Sem tabu

    Entre janeiro e final de fevereiro deste ano, mais de 40 casos foram contabilizados no município. Porém, há muitos que sequer chegam ao conhecimento da polícia. A psicóloga Catarina Gewehr ressalta que diversas vezes, por vergonha ou sentimento de culpa, os responsáveis pelos menores não procuram ajuda.

    Mas é preciso quebrar o silêncio. Seja para denunciar ou para orientar as crianças o quanto antes. Como os abusos ocorrem cada vez mais cedo, o melhor caminho é a educação e conversas constantes.

    — Tem que falar que ninguém pode mexer nas partes íntimas. E falar o quanto antes, não apenas quando é adolescente. A maioria dos abusos é cometida em crianças de 2, 3, 4 anos — instrui a delegada.

    Juliana defende ser importante explicar que ninguém pode tocar o corpo da criança sem o consentimento dela, principalmente nos órgãos sexuais.

    Com informações da NSC TV.

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