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Cresce número de pessoas na extrema pobreza em Blumenau durante a pandemia

Pandemia agravou situação de famílias vulneráveis economicamente em todas as regiões da cidade

28/05/2021 - 05h46 - Atualizada em: 28/05/2021 - 06h41

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Bianca
Por Bianca Bertoli
Em Blumenau, quantidade de pessoas na extrema pobreza foi de mais de 10% em um ano
Em Blumenau, quantidade de pessoas na extrema pobreza foi de mais de 10% em um ano
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O número de pessoas em extrema pobreza em Blumenau aumentou 11,7% em um ano, saindo de 12.907 blumenauenses no começo de 2020 para 14.425 no início deste semestre. Fazem parte do grupo pessoas com renda mensal de até R$ 89, o que equivale a menos de R$ 3 por dia. Os dados são do Ministério da Cidadania e englobam moradores que estão registrados no Cadastro Único (CadÚnico) do governo federal.

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O crescimento foi impulsionado pela pandemia, avalia a secretária municipal de Desenvolvimento Social, Patrícia Morastoni Sasse. Nos últimos 12 meses, os sete Centros de Referência da Assistência Social (Cras) da cidade viram a demanda mais que dobrar. 

Se antes da chegada do coronavírus eram, em média, 7 mil atendimentos por mês, desde o ano passado é pelo menos o dobro. O Ministério da Cidadania também separa os números por famílias. Neste caso, a piora é mais expressiva. De 3.534 famílias em situação de extrema pobreza em março do ano passado, o município passou a 4.211 no mesmo mês deste ano, quase 20% a mais. Além da extrema pobreza, há os considerados pobres "apenas" — quando a renda per capita é de até R$ 178 por mês.

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São 1.052 famílias em situação de pobreza e outras 3.386 que recebem até meio salário mínimo. Ou seja, 8,6 mil famílias blumenauenses sobrevivem com R$ 89 a até R$ 519 por integrante. Quando individualizados, os dados apontam que pouco mais de 7% dos 361 mil habitantes, conforme estimativa do IBGE, pertencem a esses 8,6 mil grupos.

— A pandemia atingiu a todos de forma geral. Isso que não vimos ainda o impacto total, porque ela não acabou — preocupa-se Patrícia.

Trabalho informal

Para o professor de Serviço Social da Furb, Lucas Haygert Pantaleão, a crise sanitária intensificou um cenário que se desenhava antes dela. O Brasil já vinha passando por uma estagnação na economia e uma série de reformas que tinha o objetivo de promover a iniciativa privada, mas que precarizou a seguridade dos trabalhadores. 

Com os problemas causados pela pandemia, os que já viviam de serviços informais ficaram ainda mais desprotegidos.

E são esses trabalhadores que lideram a lista de mais vulneráveis. Distribuída pelas regiões periféricas de Blumenau, a quantidade de pessoas pobres pode ser maior que a mapeada oficialmente. 

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Além da subnotificação, nem todos os que recebem assistência da prefeitura estão no CadÚnico. Nele, há 36.940 inscritos com diferentes níveis de renda, mas quase metade é considerada pobre ou extremamente pobre.

— Tem moradores que buscam outras fontes de auxílio, como as igrejas. Nós fazemos buscas ativas, mas possivelmente há subnotificação — acredita a secretária.

Número de moradores de rua atendidos pela prefeitura mais que dobrou em um ano
Número de moradores de rua atendidos pela prefeitura mais que dobrou em um ano
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Um comportamento foi observado pela secretaria: nos meses de pagamento de auxílio emergencial do governo federal houve queda na procura pela assistência social municipal. Por isso, medidas como o auxílio catarinense são vistas com bons olhos pelas prefeituras, pois amenizam a alta demanda atendida por elas.

Blumenau tem sete benefícios municipais para ajudar financeiramente quem precisa. É a alternativa que se recorre quando falta assistência federal. Há centenas de famílias, por exemplo, que têm direito ao Bolsa Família mas não recebem por falta de verba da União.

Como sair da extrema pobreza?

— O auxílio emergencial é paliativo. Quando ele acaba, as pessoas são jogadas de volta à pobreza — constata Pantaleão.

Retirar e manter as pessoas fora da pobreza é missão complexa neste país continental, mas não impossível. Para o professor, um começo bem-sucedido exige esforço estatal. O governo precisa aplicar políticas de um verdadeiro cenário pós-guerra: investimento pesado na geração de emprego e renda e no fortalecimento da seguridade social.

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