A maternidade após os 40 anos tem se tornado opção para cada vez mais mulheres. Em Santa Catarina, dados do IBGE apontam que, entre 2015 e 2022, a proporção de crianças nascidas de mães com essa idade saltou de 2,7% para 4,3%, em relação ao total de nascimentos. O aumento é de quase 60%, de acordo com o levantamento divulgado em março deste ano.

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A maternidade 40+ é uma tendência mundial. Muitas mulheres vêm dedicando o início de suas vidas adultas à busca pela estabilidade financeira e emocional, deixando o momento de ter filhos para depois.

A atriz de Florianópolis Raquel Stüpp, por exemplo, decidiu engravidar quando chegou aos 30 anos, mas primeiro esperou consolidar seu relacionamento e, depois, alguns projetos profissionais. Seu filho, Mateus, nasceu no ano passado, quando ela tinha 40 anos.

— Eu tinha muito medo de não conseguir engravidar pela idade. Mas é curioso porque eu me sentia muito jovem, eu sou uma mulher ativa, trabalho… era como se isso não fosse compatível com o tal relógio biológico — recorda.

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O relógio biológico

É senso comum a ideia de que as mulheres nascem com uma contagem regressiva que, em certo momento, vai impedi-las de ter filhos. Ela tem base científica: o Manual Técnico de Gestação de Alto Risco, do Ministério da Saúde, por exemplo, inclui a idade materna maior que 35 anos entre os marcadores e fatores de risco gestacionais.

Dessa idade em diante, as mulheres têm mais dificuldades para engravidar e mais riscos de gerar fetos com anomalias cromossômicas, de acordo com Ricardo Nascimento, professor-doutor do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da UFSC. Também há mais chances delas terem doenças relacionadas à gravidez, como pré-eclâmpsia e diabetes gestacional.

— Os óvulos da mulher vão se desgastando com o tempo, não só na quantidade, porque não existe mais produção, mas também na qualidade. Então se diminui a quantidade, diminui a fertilidade. Se diminui a qualidade desses óvulos, é um risco maior de que essas gravidezes sejam afetadas por síndromes, das quais a mais conhecida é a síndrome de Down — explica o obstetra.

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Planejamento é importante

Mas isso não quer dizer que todas as gravidezes de mulheres com mais de 40 anos terão problemas. Segundo o médico, muito pode ser evitado com planejamento. Raquel, por exemplo, praticou exercícios e manteve os exames em dia. Também fez cursos com o marido, leu livros e frequentou grupos de gestantes.

Mas o planejamento está longe de ser regra no Brasil. Cerca de 62% das mulheres já tiveram pelo menos uma gravidez não planejada no país, de acordo com uma pesquisa da farmacêutica Bayer em parceria com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). O percentual brasileiro ficou acima da taxa média mundial, que é de 40%.

O não-planejamento foi a realidade de Vanessa Silva, também moradora de Florianópolis. Ela chegou aos 39 anos sem desejar filhos, mas foi surpreendida com a descoberta de uma gravidez, em 2020. Na época, o mundo passava por uma pandemia, e ainda não se sabia o risco da Covid-19 para mulheres grávidas. Vanessa, que trabalha como recepcionista, teve que ficar em casa, totalmente isolada.

— Eu cheguei a ter uma crise de pânico ali no finalzinho da gravidez, porque faziam muitos dias e meses que eu não saía de casa. Eu tinha medo disso afetar a criança, de perder a criança. Eu tinha muitos medos — relata ela, que também teve suspeita de diabetes gestacional.

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As vantagens da experiência

Vanessa teve seus dois filhos, Benício (dir.) e Benjamin (esq.) com mais de 40 anos (Foto: Vanessa Silva, Arquivo pessoal)


A gravidez de Vanessa, apesar de não ter sido planejada, foi muito desejada. Um ano e 10 meses após seu primeiro filho, Benício, nascer, ela descobriu que esperava um segundo bebê, Benjamin. Hoje, ela se sente realizada.

— Eu acho que eu não seria uma mãe completa, talvez, se eu tivesse sido mãe mais nova. Hoje eu sei a responsabilidade que eu tenho perante essas crianças, e eu não sei se eu teria essa maturidade antes. Eu pensava de forma diferente. Aos 40 anos, eu me permiti ser mãe, mesmo sem planejar.

A atriz Raquel concorda que a idade trouxe vantagens para a forma como ela cria o filho. Em suas redes sociais, ela busca relatar com honestidade a rotina da maternidade, como forma de compartilhamento entre mães.

— Eu acho que a Raquel mãe de 40 anos é muito mais legal do que teria sido a Raquel mãe de 25. Eu já vivi muita coisa, experenciei muita coisa. Eu tô totalmente presente. Totalmente vivendo o que eu tô vivendo, entregue mesmo, curtindo.

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