O governador Romeu Zema (NOVO-MG) voltou ao centro do debate político após uma sequência de declarações que provocaram reações de autoridades, entidades e adversários. Nos últimos meses, o chefe do Executivo mineiro passou a enfrentar desgaste em diferentes frentes, envolvendo falas consideradas preconceituosas, embates institucionais e críticas à condução administrativa de Minas Gerais.

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Falas controversas ampliam desgaste político

Entre os episódios de maior repercussão está a comparação feita por Zema entre pessoas em situação de rua e carros estacionados em locais proibidos, declaração que gerou forte reação nas redes sociais e entre movimentos sociais.

O governador também foi criticado após evitar classificar a ditadura militar brasileira como um regime autoritário em entrevistas recentes. Outra controvérsia ganhou dimensão nacional em 2026, quando o Ministério Público do Trabalho abriu investigação para apurar declarações do governador sobre trabalho infantil.

Durante entrevista, Zema afirmou que ampliaria possibilidades de trabalho para crianças caso chegasse à Presidência da República. Após a repercussão, aliados passaram a defender que o discurso fazia referência a programas de aprendizagem para adolescentes.

O peso de posicionamentos passados

Declarações anteriores do governador também voltaram a circular em meio ao aumento da exposição nacional. Entre elas aparecem comentários sobre o Nordeste, além de publicações associadas a frases de Benito Mussolini, usadas por opositores para acusá-lo de flertar com discursos autoritários.

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Organizações políticas e movimentos sociais também relembram episódios em que Zema teria relativizado temas ligados à democracia e aos direitos humanos. Parte dessas críticas ganhou força após o governador ampliar sua atuação no debate nacional e intensificar posicionamentos voltados ao eleitorado conservador.

As principais queixas sobre a gestão mineira

Além das polêmicas envolvendo declarações públicas, a gestão de Minas Gerais é alvo de críticas da oposição. Entre os principais pontos levantados estão a condução das privatizações, mudanças em projetos educacionais e o crescimento da dívida estadual durante os mandatos do governador.

Adversários políticos também questionam falas do governador sobre salários em regiões mais pobres e comentários sobre a infraestrutura rodoviária mineira, considerados ofensivos por setores locais.

A relação com o Supremo e a projeção no debate federal

No campo político, Zema ampliou críticas indiretas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a ministros da Corte, movimento interpretado como uma tentativa de consolidar espaço no campo da direita nacional.

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O governador também foi citado em articulações envolvendo manifestações de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro durante momentos de tensão institucional.

Nos bastidores, aliados avaliam que o confronto com integrantes do Judiciário ampliou a visibilidade de Zema fora de Minas Gerais, mas também elevou o desgaste político do governador em setores moderados.

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*Com edição de Luiz Daudt Junior.