Uma parcela mínima dos consumidores consegue chegar ao fim do mês sem passar por algum tipo de sufoco financeiro no Brasil. Apenas duas em cada dez pessoas consideram simples administrar os vencimentos e as despesas diárias, segundo o estudo “Custo de Vida no Brasil”, da Serasa em conjunto com o Instituto Opinion Box.

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A pesquisa deixa claro que a perda do poder de compra não é uma impressão isolada: ela se transformou em uma barreira real dentro de casa, forçando o corte de produtos básicos e exigindo planos de prevenção severos para que o consumidor consiga fugir do endividamento.

O diagnóstico traduz o tamanho do impacto da inflação no cotidiano das famílias e tem como base 6.063 cidadãos espalhados por todas as regiões do país, entrevistados entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026.

FOTOS: Raio-X do orçamento revela as despesas que engolem o salário antes do fim do mês

Para contextualizar essa realidade, o estudo revela que o custo médio de vida do brasileiro atinge R$ 3.520 por mês para cobrir as necessidades básicas e pessoais, evidenciando o peso desproporcional dos gastos fixos sobre o rendimento das famílias. O valor é abaixo da renda média da população, que ficou em R$ 3.722 em maio, segundo o IBGE.

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Alimentação e moradia lideram as despesas

Quando o assunto é a divisão do dinheiro, o carrinho de supermercado desponta como o principal ponto de pressão. Em termos nacionais, o gasto médio mensal com alimentação é de R$ 930 por consumidor. Essa conta fica ainda mais pesada para quem mora na região Sul, que registra o topo da lista nacional com uma média de R$ 1.110 por mês. No outro extremo, os moradores do Nordeste têm o menor desembolso nesse setor, gastando R$ 780 mensais.

A manutenção da casa é outro fator que reduz drasticamente qualquer margem de manobra financeira. Para pagar aluguel, condomínio ou as prestações de um financiamento, o brasileiro desembolsa, em média, R$ 1.100 mensais. Esse valor acompanha a valorização do mercado imobiliário regional: no Sul, a conta salta para R$ 1.310, enquanto no Nordeste o custo médio cai para R$ 800.

Além disso, o funcionamento básico do lar demanda uma quantia expressiva. As contas fixas mensais de luz, água, internet e serviços de streaming representam uma despesa média nacional de R$ 520. Na análise por região, o Centro-Oeste lidera esses custos, atingindo a marca de R$ 590, ao passo que o Nordeste se mantém como o patamar mais baixo, registrando R$ 420.

Educação e transporte pesam no bolso

O estudo mostra que o encarecimento das coisas não poupa as áreas ligadas ao desenvolvimento e à qualidade de vida. O custeio de serviços de saúde e de exercícios físicos, por exemplo, gera uma média de despesa de R$ 540 mensais no país, puxada principalmente pelos indicadores mais altos das regiões Sul e Sudeste.

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A locomoção diária e a preparação profissional também cobram cifras elevadas. O transporte e a mobilidade urbana significam um custo médio de R$ 350 por mês para os brasileiros, indo de R$ 410 no Sul a R$ 270 no Nordeste. Na área da educação, a mensalidade ou os materiais geram um investimento médio de R$ 620 no Brasil. O Sudeste aparece no topo com R$ 730, seguido de perto pelo Sul com R$ 700. A menor taxa educacional está no Norte, com R$ 420 por mês.

Transporte público corresponde a gasto de R$ 350 por mês para o brasileiro (Foto: Agência Brasil/Divulgação, NSC Total)

Com tantas contas prioritárias, as opções de lazer acabam sendo deixadas de lado. O gasto médio com entretenimento no país é de R$ 340 por mês, oscilando entre R$ 400 nas cidades do Sul e R$ 270 nos estados nordestinos. Por fim, as compras gerais do dia a dia, que reúnem produtos de higiene, perfumaria e os cuidados com animais de estimação, apresentam uma média nacional de R$ 390.

Orçamento doméstico exige reorganização completa

Mesmo com as despesas básicas muitas vezes superando os salários vigentes, sair da própria região para viver em um lugar mais barato não é visto como uma alternativa viável para a maioria. Apenas 10% das pessoas ouvidas na pesquisa cogitam mudar de cidade com o objetivo de reduzir seus custos fixos e aliviar o bolso.

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Na visão de Aline Vieira, especialista em educação financeira da Serasa, os dados evidenciam que o nó econômico está diretamente atrelado às condições e tabelas de preços de cada localidade. Ela reforça que reverter o sufoco exige estratégias muito mais profundas do que uma simples mudança geográfica.

“É justamente nesse cenário que a educação financeira se mostra, mais uma vez, como um pilar importante para o bem-estar das famílias brasileiras”, explica.