Antes de arrastar multidões pelo Centro de Florianópolis e se espalhar em vários polos da Capital, o Bloco dos Sujos começou quase como uma travessura organizada entre amigos. Era 1945 quando grupos ligados a clubes e colégios tradicionais da Ilha de Santa Catarina — como o Lira Tênis Clube, o Colégio Catarinense e o Colégio Coração de Jesus — decidiram que o Carnaval precisava ir além dos salões.

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Segundo Gabriel Cardoso, responsável pela organização do bloco, cada turma fazia sua concentração no próprio reduto. Depois, todos seguiam para a Avenida Rio Branco. É aí que o encontro virava folia.

O nome do bloco, inclusive, nasceu justamente da brincadeira que dava o tom do bloquinho.

— Os foliões iam para a rua com roupas velhas, propositalmente despojadas e “sujas”, muitas vezes pequenas ou improvisadas — conta Gabriel.

Diferentemente de outras agremiações, o Bloco dos Sujos não tem um fundador único. Foi um movimento coletivo e espontâneo, de acordo com Gabriel. Essa origem compartilhada talvez ajude a entender por que, oito décadas depois, ele continua sendo um dos maiores eventos do Carnaval manezinho, que reúne entre 100 mil e 400 mil pessoas no Centro da Capital.

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A marca registrada do bloco

Se no início a graça estava nas roupas velhas, uma virada importante aconteceu em 1985. A fantasia ganhou um novo protagonista: os homens passaram a se vestir de mulher, consolidando a identidade irreverente que hoje é marca registrada do bloco. Saltos altos improvisados, perucas coloridas e maquiagem borrada sob o sol de fevereiro passaram a fazer parte da folia, segundo Gabriel.

A inversão bem-humorada transformou-se em tradição, e ajudou a diferenciar o Sujos de qualquer outro cortejo carnavalesco do Estado, e um dos mais cheios. O que começou com 100 ou 200 pessoas tomou proporções difíceis de imaginar naquela Florianópolis dos anos 1940.

Veja fotos antigas do Bloco dos Sujos

Bloco “explodiu” pós-pandemia

Um novo ponto de virada ocorreu entre 2018 e 2019, quando o bloco passou por um processo de profissionalização, conta Gabriel:

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— O bloco saltou de cerca de 35 mil para mais de 60 mil pessoas.

A mudança ocorreu após a organização investir em comunicação, reforçar a segurança, ordenar trios elétricos e reduzir riscos, como a circulação de garrafas de vidro.

No pós-pandemia, a explosão foi ainda maior. A partir de 2022, o Bloco dos Sujos passou a reunir centenas de milhares de foliões, consolidando-se como um dos maiores eventos populares de Santa Catarina. Já não cabe apenas na região da Catedral e da Praça XV: espalha-se pelo Centro, ocupando ruas, esquinas e diferentes públicos — todos sob o mesmo espírito carnavalesco.

Apesar da dimensão, a essência permanece.

— O objetivo inicial era simples e genuíno: celebrar o Carnaval com liberdade, brincadeira e descontração. No bloco, cada pessoa pode ser o que quiser por um dia — afirma Gabriel.

Bloco afeta trânsito e transporte público neste sábado

No sábado, a partir das 11h, a Av. Paulo Fontes e os acessos à Praça XV de Novembro estarão bloqueados para trânsito. Com o crescimento do público do Bloco dos Sujos ao longo do dia, a área interditada será ampliada para os arredores da Praça Getúlio Vargas, e Rua Presidente Nereu Ramos.

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A marginal da Av. Gustavo Richard, em frente à Arena Floripa, estará destinada para embarque e desembarque de carros de aplicativo durante os dias de Carnaval no centro.

A Guarda Municipal recomenda que motoristas fiquem atentos às alterações no trânsito, utilizem rotas alternativas sempre que possível, e reforça: “Se forem beber, não dirijam. Em emergência, liguem 153”.

Já o transporte público, segundo a prefeitura, funcionará com quadro especial de Carnaval, com cerca de 1.321 partidas extras no sábado, reforçando as linhas para os principais pontos de festa e facilitando o deslocamento dos foliões.